Infarmed dá parecer negativo a medicamentos inovadores para doença de Alzheimer

A ministra da Saúde revelou hoje que o parecer da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) sobre a eventual comparticipação de novos medicamentos para o Alzheimer, já aprovados na Europa, é negativo porque “não apresenta valor terapêutico acrescentado”.

A decisão anunciada pela ministra Ana Paula Martins surgiu, como indica a Lusa, após um alerta lançado hoje pela associação Alzheimer Portugal sobre a necessidade de comparticipação pelo Estado de medicamentos inovadores, que a organização considera serem capazes de modificar o curso da doença e de retardar, com ganhos ao nível da capacidade cognitiva, a funcionalidade e o dia a dia da vida destes doentes.

Doentes querem novos medicamentos para Alzheimer comparticipados para derrubar barreira no acesso

 

Ana Paula Martins falava na sessão de abertura do evento ‘Doença de Alzheimer: Momento de Agir’ que decorre hoje na Assembleia da República.

A ministra da Saúde acrescentou, sem enumerar, que a mesma decisão negativa já foi tomada por outros países, que não enumerou.

Nestes dois medicamentos, vários países da União Europeia já emitiram pareceres que não são positivos, são desfavoráveis, com os dados que temos hoje. Portugal não é uma exceção”, disse a ministra, acrescentando: “a ciência avança todos os dias e amanhã podemos ter dados diferentes”.

Em declarações aos jornalistas à saída da conferência, Ana Paula Martins explicou que, sem este reconhecimento de que estes medicamentos podem fazer a diferença na vida das pessoas que vivem com Alzheimer, não se pode avançar para a negociação no sentido de comparticipar estes fármacos, um pedido que tinha sido deixado pela associação Alzheimer Portugal.

“É verdade que está disponível, é verdade que pode ser adquirido se as pessoas quiserem, é verdade que é muito caro e, portanto, se não houver uma compartilhação do Serviço Nacional de Saúde dificilmente teremos equidade e dificilmente conseguiremos que os doentes acedam, mas nós temos de ter a garantia daquilo que estamos a financiar e (…) ter evidência de que, de facto, algo vai mudar”, afirmou.

A governante sublinhou que esta é “uma matéria técnica, e não política”, referindo: “seria uma péssima governação na Saúde nós tomarmos decisões políticas sem evidência técnica”.

Sobre a inovação, a ministra disse que, desde 2024, já foram aprovados 100 medicamentos, “alguns deles são absolutamente disruptivos”.

Apontou ainda a importância da prevenção e do investimento em testes que ajudem a antecipar cada vez mais o diagnóstico: “se eu detetar mais cedo, começo a tratar mais cedo”, afirmou.

Notícia atualizada às 14h.