
A Ordem dos Farmacêuticos (OF) associa-se à iniciativa ‘Juntos contra a Depressão’ promovida pela CNN Portugal. A propósito da iniciativa, o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Helder Mota Filipe, assinou na CNN Portugal um artigo em que fala, entre outros aspetos, do papel do farmacêutico no âmbito da depressão.
“A gestão das doenças mentais em Portugal é dificultada por razões de ordem diversa”. Desde logo, “a inexistência de um Plano Nacional de Saúde Mental atualizado, tal como previsto no Decreto-Lei n.º 113/2021, de 14 de dezembro, que veio estabelecer os princípios gerais e as regras da organização e funcionamento dos serviços de saúde mental, constitui um óbice importante à implementação e organização dos serviços, bem como à integração de equipas multidisciplinares e à articulação entre níveis de cuidados previstas na legislação”.
Aumento do consumo de antidepressores
Porém, Helder Mota Filipe também aponta “a dificuldade no acesso a profissionais especializados e a métodos de tratamento não farmacológico, como a psicoterapia, conduz à utilização preferencial de terapêutica farmacológica, mediante a prescrição de fármacos antidepressores”.
O consumo de antidepressores tem vindo a crescer “de forma acentuada. Dados recentes indicam que a sua dispensa cresceu 82% nos últimos dez anos e que, em 2025, se atingiu o valor mais elevado da última década, com cerca de 80 mil embalagens dispensadas diariamente”, refere o bastonário, salvaguardando que, “não obstante poderem ser prescritos para outras condições que não somente a depressão, e o facto de este aumento poder também sinalizar uma melhoria no diagnóstico e no acesso ao tratamento, o elevado consumo de antidepressores pela população portuguesa condiciona desafios relevantes aos profissionais de saúde no que concerne ao acompanhamento dos doentes e à educação acerca do uso correto destes fármacos”.
Helder Mota Filipe refere ainda que “a terapêutica farmacológica da depressão tem vindo a evoluir no sentido de uma crescente eficácia e segurança, permitindo a obtenção de resultados favoráveis numa larga maioria dos doentes. Do mesmo modo, têm vindo a ser investigadas e aprovadas alternativas terapêuticas eficazes, destinadas ao tratamento de casos mais graves ou que não respondem às várias abordagens disponíveis em primeira linha”.
Promover a adesão ao tratamento
“Sem o acompanhamento e a educação proativas dos doentes, existe um risco elevado de que estes abandonem os tratamentos precocemente, com risco de respostas insuficientes e recaídas da doença”, declara o responsável.
Neste sentido, defende que “os farmacêuticos ocupam um lugar privilegiado para promover a adesão aos tratamentos, em articulação com outros profissionais de saúde envolvidos no cuidado aos doentes com depressão. O aconselhamento acerca do intervalo de tempo necessário para obtenção de resposta à medicação, dos principais efeitos adversos e das possíveis medidas de mitigação, a avaliação de eventuais interações medicamentosas que possam afetar a eficácia e/ou a segurança da terapêutica, bem como o acompanhamento regular dos doentes nas fases iniciais do tratamento são intervenções farmacêuticas que contribuem para que os doentes se sintam apoiados e para que persistam no processo terapêutico”.
Posto isto, Helder Mota Filipe conclui que “a sensibilização para as implicações da depressão, tanto para o indivíduo, como para a sociedade, para a importância do seu tratamento e do apoio social, é uma responsabilidade que deve ser partilhada por todos aqueles capazes de fazer a diferença na vida dos doentes, dos seus cuidadores e das suas famílias”.




