Chega e PCP acusaram hoje a ministra da Saúde de incapacidade para responder aos problemas do setor, com a direita radical a condenar as nomeações políticas e os comunistas a insurgirem-se contra o desmantelamento do SNS.
Estas posições críticas sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram transmitidas pela deputada do Chega Marta Silva e pela líder parlamentar do PCP, Paula Santos, nos discursos que proferiram durante a reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República.
Na sua intervenção, a deputada do Chega Marta Silva afirmou que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na terça-feira, durante o debate da moção de censura ao Governo, “falou de tudo aquilo que lhe convinha”, mas optou “pelo silêncio” em relação à saúde.
“Durante o verão aconteceu uma coisa extraordinária: deixámos de falar de saúde, mas os problemas não desapareceram, com urgências colapsadas, listas de espera a aumentar, portugueses sem médico de família e profissionais exaustos”, sustentou, citada pela Lusa.
Segundo Marta Silva, o Governo contraria sistematicamente o que promete. E, “quando as promessas falham e os resultados não aparecem, mudam-se as regras e mudam-se as metas”.
“O Governo anunciou o Plano de Emergência e Transformação da Saúde. Só que esse plano transformou-se num plano de habituação ao desespero”, considerou.
Na perspetiva da deputada do Chega, Portugal tem uma ministra da Saúde, Ana Paula Martins, “politicamente esgotada a dirigir profissionais fisicamente esgotados”.
“Não há profissionais onde fazem falta, mas há uma área onde a disponibilidade orçamental parece inesgotável: a das nomeações. Faltam médicos, enfermeiros, técnicos, mas para certos lugares de nomeação nunca parece faltar orçamento. E ainda há a fraude e os abusadores. Cada euro desviado da saúde é dinheiro que vai faltar para tratar alguém”, acusou.
Mas Marta Silva foi ainda mais longe nas suas críticas a propósito do estado da emergência médica no país.
“Quando alguém liga para o 112 não quer saber de refundações do INEM, quer uma ambulância e quer alguém que chegue a tempo. Infelizmente, neste verão, voltámos a ter portugueses a morrer enquanto aguardavam socorro. Pensem por um segundo numa dessas famílias”, acrescentou.
Já a líder parlamentar do PCP defendeu que, “se a situação nacional é marcada pela acelerada degradação das condições de vida, também se caracteriza pelas dificuldades no acesso dos utentes à saúde, situação bem visível durante o período estival”.
“Nas últimas semanas, os tempos de espera nos serviços de urgências dos hospitais aumentaram bastante, com doentes urgentes que aguardaram alguns mais de 11 horas pelo atendimento, muito superior ao tempo recomendado”, observou.
Paula Santos afirmou depois que, perante o avolumar de problemas, “o que a ministra tem para dizer ao povo e ao país é que a pressão sobre as urgências deverá manter-se nas próximas semanas”.
“Não apresenta uma única medida, não apresenta uma única solução, não diz o que vai fazer para resolver os problemas – e era o mínimo que se esperava de um membro do Governo. Onde está o Governo que tinha um plano e que prometeu resolver em 60 os problemas do SNS?”, questionou.
Na perspetiva da líder parlamentar do PCP, o efetivo plano do Governo “é reduzir e desmantelar o SNS – e é isso que está a acontecer neste momento”.
“Veja-se, por exemplo, o facto de o Hospital Garcia de Horta ter decidido encaminhar as mulheres que tencionam fazer uma interrupção voluntária da gravidez para uma entidade privada. Veja-se ainda o exemplo das urgências de obstetrícia e ginecologia no Hospital do Barreiro, hoje definitivamente encerradas”, apontou.
“Estão bem claras as opções políticas deste Governo no que diz respeito à saúde: desmantelar o SNS e favorecer a saúde privada”, completou.




