João Cordeiro diz que via judicial foi a “única alternativa” para discutir futuro das farmácias

João Cordeiro, antigo presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), avançou para tribunal para impugnar as deliberações da última assembleia geral da Farminveste, contestando a decisão da sociedade de não distribuir dividendos relativos a 2025.

Segundo noticiou o Expresso, em finais de junho, João Cordeiro, que liderou a ANF entre 1981 e 2013, resolveu avançar com um processo em tribunal para impugnar a última Assembleia Geral da Farminveste, detida pela associação, para contestar a decisão da empresa de não distribuir dividendos.

João Cordeiro, que detém cerca de 1,2% da Farminveste, defendeu, ainda de acordo com o jornal, que a sociedade “tem indicadores perfeitamente sólidos”, para distribuir dividendos, tendo proposto 1,5 euros por ação. A proposta não foi aprovada.

Num vídeo, enviado ao NETFARMA, João Cordeiro, fazendo um esclarecimento e exercendo do seu direito ao contraditório sobre a Farminveste, declarou que “sempre defendi que as mais-valias da área empresarial deveriam ser revertidas a favor das farmácias, pois foram elas que disponibilizaram os recursos financeiros que permitiram investir nas empresas que hoje fazem parte dos ativos da Farminveste SGPS”.

Neste sentido, o fundador da ANF garante que “o recurso à via judicial foi a única alternativa possível para discutir assuntos importantes para o presente e para o futuro das farmácias que a Direção e a Mesa da Assembleia não têm permitido discutir no seio dos órgãos associativos”.

O farmacêutico sublinha ainda que “caso fosse aprovada a distribuição de dividendos, a ANF teria um resultado extraordinário de 26M€, permitindo a redução imediata da quota variável para 0,5%”.

Posto isto, reforça que “a distribuição de dividendos não visa satisfazer interesses individuais, mas sim satisfazer os legítimos interesses de todos os acionistas e proprietários de farmácias”.

Farminveste vai defender-se “judicialmente”

A Farminveste assegurou que vai defender-se “judicialmente” da impugnação da assembeia-geral (AG) de 20 de maio.

Na nota, divulgada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a que a Lusa teve acesso, a sociedade informou que “foi ontem [30 de junho] citada no âmbito de uma ação declarativa de impugnação de deliberações sociais intentada por um conjunto de acionistas minoritários por referência a deliberações aprovadas na assembleia-geral realizada em 20 de maio de 2026”.

Esta ação, indicou, “tem por objeto a impugnação das deliberações respeitantes à aprovação dos relatórios de gestão e contas relativos ao exercício de 2025 e à aplicação dos resultados do referido exercício, versando sobre a decisão de não distribuição de dividendos e sobre alegados vícios no processo de representação de um dos acionistas na referida” AG.