Investigadoras da NOVA FCT recebem bolsas para projetos com impacto na saúde humana

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa | NOVA FCT anuncia que duas investigadoras da UCIBIO – Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas, foram distinguidas com bolsas do programa RESTART da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), um instrumento de financiamento criado para apoiar o regresso à atividade científica após a licença parental.

Os projetos, liderados por Susana Pereira e Mariana Barbosa, receberam financiamento de 50 mil euros cada, e terão uma duração de 18 meses.

As duas investigações utilizam ciências biomoleculares para contribuir com inovações no setor da saúde humana. Susana Pereira investiga como o metabolismo materno durante a gravidez pode estar na origem de doenças cardiovasculares e Mariana Barbosa os mecanismos moleculares associados ao cancro e doenças raras.

Pode a saúde do coração começar a ser definida antes do nascimento?

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte no mundo. O projeto ‘MetaHEART – Decoding Maternal Metabolism’s Impact on the Offspring Heart’, liderado pela investigadora Susana Pereira, pretende compreender de que forma alterações metabólicas maternas durante a gravidez podem influenciar a saúde dos filhos ao longo da vida, em particular as doenças cardiovasculares.

A investigação parte da hipótese de que alterações do metabolismo materno, como obesidade, diabetes gestacional ou nutrição inadequada, podem deixar uma “assinatura biológica” no coração fetal em desenvolvimento, aumentando a predisposição para doenças cardiovasculares.

A equipa recorrerá a um modelo de primata não humano com elevada semelhança fisiológica à espécie humana, combinando biologia molecular, fisiologia cardiovascular, bioenergética mitocondrial e tecnologias multi-ómicas para identificar biomarcadores precoces de vulnerabilidade cardiovascular.

“Durante décadas tentámos prevenir as doenças cardiovasculares quando os fatores de risco já estavam instalados. A grande questão é: e se parte dessa história começar antes do nascimento? Se conseguirmos identificar essa vulnerabilidade logo no início da vida, poderemos transformar a prevenção cardiovascular para as próximas gerações”, afirma, em comunicado a investigadora Susana Pereira, acrescentando que “receber este financiamento permite consolidar uma linha de investigação independente na UCIBIO numa fase particularmente desafiante da vida, conciliando o regresso à ciência com a maternidade. É um enorme incentivo para continuar uma missão científica que me acompanha há mais de uma década: compreender como os primeiros momentos da vida moldam a saúde cardiovascular das gerações futuras”.

O projeto MetaHEART pretende contribuir para uma mudança de paradigma na prevenção cardiovascular, deslocando o foco da idade adulta para os primeiros momentos da vida.

Nova investigação procura revelar os mecanismos biológicos associados a doenças raras e cancro

O segundo projeto financiado, ‘SYNESIS’, criado pela investigadora Mariana Barbosa, procura aprofundar o conhecimento sobre o impacto dos defeitos na “sialilação”, um processo biológico essencial para a comunicação entre células, a resposta imunitária e o funcionamento dos tecidos.

Utilizando como modelo principal a miopatia GNE, uma doença neuromuscular rara, o projeto irá estudar os mecanismos moleculares e celulares associados ao metabolismo alterado do ácido siálico, com o objetivo de identificar novos biomarcadores e potenciais alvos terapêuticos.

Os resultados poderão ainda contribuir para uma melhor compreensão do papel da sialilação noutras patologias complexas, incluindo as doenças congénitas da glicosilação e diversos tipos de cancro, abrindo caminho para abordagens terapêuticas mais personalizadas.

“A atribuição do financiamento RESTART pela FCT representa um passo muito importante para a minha autonomia científica. Ao apoiar o meu regresso à atividade científica após a licença parental, oferece-me uma oportunidade vital para me afirmar e consolidar numa linha de investigação no campo da Glicociência”, sublinha, no mesmo comunicado, a investigadora Mariana Barbosa.