“A rede atual de farmácias será adequada?”, esta foi a questão lançada por Pedro Pita Barros, professor catedrático da Nova School of Business and Economics da Universidade Nova de Lisboa, durante a Sessão Plenária ‘Estudo do Valor da Rede de Farmácias em Portugal’, que aconteceu hoje no 15º Congresso das Farmácias, em Lisboa.
Moderada pela jornalista Ana Sofia Cardoso, a sessão contou ainda com a participação de Ana Sampaio, membro da Direção da Plataforma Saúde em Diálogo, Armindo Monteiro, presidente da direção e do Conselho Geral da Confederação Empresarial de Portugal, o médico Ricardo Mexia, presidente da Junta de Freguesia do Lumiar e Paulo Fernandes, vice-presidente da Direção da Associação Nacional das Farmácias.
Farmácias geram 1,12% do PIB e reforçam papel no acesso à Saúde em Portugal
Pedro Pita Barros, para quem “a rede de farmácias tem um papel importante”, explicou que “há zonas do país que são muito diferentes”. Por isso, argumentou que “para manter a rede, posso ter de pagar de forma diferente os serviços. Nalguns casos pode ser necessário pagar de forma diferente a farmácias para assegurar que continuam lá”.
Já Paulo Fernandes considerou que “a rede é bastante adequada. Mas há possibilidade de melhorias”. O farmacêutico reconheceu ainda que “há zonas em que se as farmácias deixarem de existir, a população fica fragilidade”.
Por seu turno, Ricardo Mexia reconheceu a capacidade das farmácia de “estarem junto das pessoas e de prestarem serviços que de outra forma estas poderiam não ter acesso”. Neste sentido, referiu que existem áreas “no interior do país que podem ser deficitárias em termos de farmácias e do SNS”.
Quanto à possibilidade da remuneração dos serviços prestados pelas farmácias, para Ricardo Mexia, “se estão a substituir funções do SNS, o Estado tem de assumir essa fatura”. Não obstante, opina que “pode haver outros caminhos”, nomeadamente ao nível das seguradoras: estas “podem assumir uma parte dos custos em saúde”.
Função social e empresas
Quanto a Armindo Monteiro, este lembrou que “as farmácias cumprem uma função social, mas não vivem de subvenções do Estado”. Daí ter argumentado que “para cumprirem a sua função social, é preciso que tenham no final do mês uma conta de exploração positiva”.
O presidente da direção e do Conselho Geral da Confederação Empresarial de Portugal sublinhou ainda que “a localização e a concorrência determinam a rentabilidade” das farmácias o que para o responsável é “uma razão para não se obrigar a que todas as farmácias tenham o mesmo modelo de negócio. Mas as regras, como o preço do medicamento, são exatamente as mesmas”.
Dispensa em proximidade
Ana Sampaio começou a sua intervenção por sublinhar que as farmácias são locais “que estão mais próximo dos doentes e os doentes valorizam muito essa proximidade”. A propósito da dispensa de medicação hospitalar em proximidade, lembrou que abrange “apenas 700 doentes, o que tenho pena porque é algo que tem um impacto muito importante na vida das pessoas”. Além da deslocação, Ana Sampaio apontou os constrangimentos decorrentes “do tempo de espera na sala de espera das farmácias hospitalares, assim como o seu horário, muitas fecham às 16 horas”.
Em suma, para o membro da Direção da Plataforma Saúde em Diálogo, “o facilitismo de levantar o medicamento na farmácia comunitária é muito bom para o doente”.




