“Quando falamos da importância dos cuidados de proximidade, as farmácias devem ser consideradas”

Durante a sessão ‘Integração de cuidados: Saúde Sem Barreiras’, que aconteceu hoje, no último dia do 15º Congresso das Farmácias, Álvaro Almeida, diretor executivo do SNS, salientou que, no que toca à integração de cuidados, “temos as ULS, que juntam os cuidados de saúde primários (CSP) e hospitais, mas não incluem as farmácias”, ou seja, “a verdadeira integração não existe do ponto de vista organizacional”.

Neste sentido, o responsável defendeu que “tem de haver um sistema de informação que permita a colaboração de todos os profissionais de saúde”. Além disso, uma segunda condição, na opinião de Álvaro Almeida para haver verdadeiramente integração, é existir “um gestor clínico do utente e depois recorrer a todos os profissionais de saúde que ajude a tratar aquela pessoa”, devendo ser “quem está na comunidade, nos CSP, a fazer essa gestão”.

Colaborar com as farmácias

“A rede de farmácias em Portugal tem uma característica fundamental para garantir o acesso das população aos cuidados de saúde, é a sua capilaridade”, declarou o diretor executivo do SNS, acrescentando que “quando falamos da importância dos cuidados de proximidade, as farmácias devem ser consideradas porque têm essa proximidade”.

Abordando a questão do task shifting, Álvaro Almeida declarou que “é uma opção que estamos continuamente a considerar como forma a ultrapassar limitações. Mas este deve ser feito para responder a problemas”.  Neste sentido, expôs, que se deve partir da premissa “‘temos este problema, como é que as farmácias podem ajudar” e não ao contrário, ou seja, “a solução tem de partir do problema”.

O diretor do SNS indicou ainda que “já temos colaboração com as farmácias no caso do programa da vacinação e está em curso o programa da dispensa de proximidade”, sendo que “sempre que identificamos um problema que as farmácias podem resolver, queremos trabalhar com elas”.

Luís Lourenço, vice-presidente da Farmácia Comunitária da Federação Internacional Farmacêutica (FIP), que também participava na sessão, salvaguardou que “as farmácias, pela capilaridade e competência, querem ser um complemento”. Por outras palavras, “esta ideia de complementaridade é importante, não tiramos a competência, por exemplo, da vacinação a ninguém, complementamos”.

Na sessão, moderada pela jornalista Ana Peneda Moreira, participaram ainda Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Cláudia Vicente, Médica de família na USF Araceti – ULS Baixo Mondego, e Carla Pereira, da Direção-Geral da Saúde.