Durante a sessão ‘Tendências, desafios e oportunidades do setor’, a primeira da tarde do 15º Congresso das Farmácias, que acontece hoje e amanhã, no Centro de Congressos de Lisboa, em paralelo com a Expofarma, Tiago Bartolomeu, executivo internacional do setor farmacêutico e da saúde que ao longo da sua carreira, desempenhou funções de liderança na STADA, Sandoz, Novartis, IQVIA e McKinsey & Company, em países como França, Portugal, Espanha, Turquia e Rússia, falou do paradoxo da Farmácia, em que “o setor continua a crescer, mas as suas bases estão a ficar mais fracas”.
O executivo internacional indicou uma confluência de três fatores gerou uma quimera: “o crescimento agregado do mercado farmacêutico e de farmácia, que dá a sensação de sucesso; o crescimento cada vez mais dirigido pelo valor e menos pelo volume; e as margens reguladas e sistemas de remuneração estratificados e limitados (caps)”.
Para Tiago Bartolomeu, “estamos num sistema onde o valor cresce, mas que foi construído para remunerar volume“. Deste modo, a margem da farmácia “está a decrescer (o negocio está a ficar desinteressante)”, o que o levou a questionar se “chegámos ao limite do sistema atual?”.
Apresentando alguns case studies, o executivo internacional apontou o da farmácia como centro de decisão. Neste sentido falou de ‘três tipos de farmácias’:
- Farmácia 1.0 (dispensa e aconselhamento “braço longo do SNS”, gestão comercial/empresarial).
- Farmácia 2.0 (terapias complexas substituiveis, gestão do doente crónico/serviços, corresponsabilidade financeira).
- Farmácia 3.0 (orçamento por doente, gestão de terapêuticas caras, foco em resultados em saúde)
O outro case study que o executivo internacional apresentou foi o dos grupos de farmácias internacionais, sendo que “a tendência europeia mostra que os grupos de farmácia estão a profissionalizar-se e a tornar-se grandes corporações, detidas por fundos de investimento”.
Farmácia com futuro
Para Tiago Bartolomeu, o setor “está saudável, mas enfrenta desafios como a pequena dimensão”.
Referindo-se ao e-commerce, referiu que “na maioria dos casos, a entrada das farmácias no e-commerce tem desiludido pelos resultados”.
Por fim, apontou quatro pilares importantes para uma farmácia com futuro: “dispensa de medicamentos e aconselhamento do farmacêutico, efeito rede, gestão do doente crónico e one shop stop saúde”.




