Farmácias pedem atualização do modelo de remuneração

A sessão de encerramento do 15º Congresso das Farmácias, que termina hoje e tem estado a decorrer em Lisboa, contou com as intervenções de Ema Paulino, presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF) e de Ana Paula Martins, ministra da Saúde.

Ema Paulino começou por dizer que “não queremos que este encerramento seja apenas de balanço, mas um ponto de partida”.

Citando alguns números apurados no Estudo do Valor da Rede de Farmácias em Portugal’, apresentado ontem no congresso, nomeadamente os mais de 550 mil atendimentos diários que as farmácias fazem ou o facto de dois terços das pessoas recorrerem sempre à mesma farmácia, Ema Paulino argumentou que “existe uma oportunidade clara: estruturar melhor aquilo que já acontece todos os dias”.

Dirigindo-se à ministra da Saúde, a dirigente da ANF afirmou que “queremos um SNS sustentável” e “capaz de evoluir”. Não obstante, salientou que “esse crescimento não se faz apenas colocando mais pressão nos mesmos profissionais”.

Falando da intervenção das farmácias nas situações clínicas ligeiras, Ema Paulino salientou que “podemos criar uma resposta mais organizada”. Já no relativo ao acompanhamento na doença crónica e na adesão à terapêutica, cada contacto feito nas farmácias pode ser uma hipótese de “garantir que o investimento que a sociedade faz, se transforma em ganhos de saúde”. Neste contexto, para a presidente da ANF, “ganha relevância a figura do farmacêutico de família”, que permitirá “uma resposta mais estruturada no domínio do medicamento”. E, por isso, apelou a que se encontre “em conjunto o modelo adequado ao nosso sistema de saúde”.

Ema Paulino defendeu ainda a necessidade de se “atualizar o modelo de remuneração associado à dispensa de tecnologias de saúde”, sendo que a “atualização deve olhar à acessibilidade ao medicamento, mas também as outras funções que as farmácias já desempenham”.

“Há um caminho a percorrer”

Já Ana Paula Martins, quando fez uso da palavra, declarou que o congresso é o “encontro de um setor que conhece profundamente o país”, sendo as farmácias uma “parte indissociável do nossos sistema de saúde”, pois, por exemplo, “evitam muitas idas desnecessárias ao serviço de urgência”.

A ministra da Saúde referiu que o “governo tem procurado reconhecer” esta realidade, mas “há um caminho a percorrer”.

A título de exemplo deste reconhecimento, a governante apontou a comparticipação de fórmulas de nutrição entérica, “garantindo a existência de mais um profissional de saúde para acompanhar estes doentes”.

A ministra da Saúde pediu ainda às farmácias, “um esforço no combate à fraude” e lembrou o “papel crescente das farmácias na vacinação sazonal” e na “dispensa adequada de medicamentos por períodos mais alargados”, mas “reconheço que devemos ir mais longe”.

Quanto à dispensa em proximidade de medicamentos hospitalares, Ana Paula Martins declarou que “estou consciente de que há a necessidade de olhar com muita atenção para este longo tempo…” e, no relativo à mudança de estatuto de alguns medicamentos de dispensa exclusiva hospitalar, garantiu que “só o poderemos fazer se se acautelarmos o orçamento e as finanças públicas”.

A sessão de encerramento contou ainda com a presença de Paul Sinclair, presidente da Federação Internacional Farmacêutica (FIP).