Farmácias geram 1,12% do PIB e reforçam papel no acesso à Saúde em Portugal

A rede de farmácias comunitárias é hoje um dos principais pilares dos serviços de proximidade do país, garantindo acesso rápido e conveniente a cuidados de saúde qualificados a milhões de portugueses e contribuindo para reduzir a pressão sobre urgências e centros de saúde. O setor afirma-se igualmente como um relevante dinamizador económico, com um impacto total que representa 1,12% do PIB e cerca de 53 mil empregos sustentados em todo o país.

Estas são algumas das principais conclusões do novo ‘Estudo do Valor da Rede de Farmácias em Portugal’ apresentado no 15.º Congresso das Farmácias e coordenado pelos investigadores da Nova SBE, Pedro Brinca e João Duarte.

A presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino, em comunicado, declara que o estudo “evidencia o potencial estratégico das farmácias, pela sua capilaridade, proximidade e confiança junto das populações, reforçando o seu papel como agente de coesão territorial e valorização dos territórios e parceiro do SNS numa resposta em saúde mais eficiente e próxima dos cidadãos”.

Segundo o estudo da Nova SBE, as 2.920 farmácias comunitárias e cerca de 200 postos farmacêuticos existentes no país, presentes nos 308 municípios, são já o principal ponto de contacto com o sistema de saúde para muitas pessoas. 82% dos portugueses vivem a menos de cinco quilómetros de uma farmácia — 41% deslocam-se a pé — face a 53% no caso dos centros de saúde e apenas 13,7% dos hospitais. Mesmo em zonas rurais, a farmácia apresenta o menor tempo médio de deslocação, entre 7 a 11 minutos, enquanto o acesso ao hospital pode ultrapassar os 40 minutos.

A confiança da população nos farmacêuticos mantém-se entre as mais elevadas no setor da saúde: três em cada quatro portugueses atribuem confiança elevada ou total ao farmacêutico. As farmácias registam ainda os níveis mais elevados de satisfação entre os serviços de saúde avaliados, com uma classificação média de 4,51 em 5.

Mais de 550 mil atendimentos por dia

Em 2025, as farmácias registaram 174,3 milhões de atendimentos, mais de 550 mil por dia útil. Dois em cada três dos utentes recorrem sempre à mesma farmácia. Portugal apresenta uma das maiores densidades de farmacêuticos comunitários da União Europeia, com cerca de 10,8 profissionais por 10 mil habitantes, cerca de 25% acima da média europeia, e com cada farmácia a contar, em média, com 4 farmacêuticos, face aos 2,6 da média da UE.

Perante sintomas ligeiros, 57,2% dos cidadãos recorrem primeiro à farmácia, enquanto apenas 16,5% procuram inicialmente o centro de saúde. A proximidade complementa as respostas do SNS, evitando deslocações e a sobrecarga de consultas e de idas às urgências pelos utentes, merecendo mais confiança que soluções digitais ou telefónicas como a linha SNS24. O estudo conclui ainda que os serviços farmacêuticos prestados nas farmácias geram poupanças relevantes para o SNS, que podem ser superiores se forem escalados, como é o caso da vacinação sazonal, com uma poupança líquida anual estimada em cerca de 34 milhões de euros anualmente.

Impacto ambiental

O estudo destaca também o impacto ambiental e social da rede farmacêutica. Em 2024/25, os serviços prestados pelas farmácias, como vacinação sazonal, gestão de situações clínicas ligeiras e renovação da terapêutica crónica, evitaram mais de 1.500 toneladas de emissões de CO₂e, sobretudo pela redução de deslocações às unidades do SNS. A estes resultados soma-se o contributo do sistema VALORMED, que recolheu 1.262 toneladas de resíduos de medicamentos e embalagens, evitando mais 436 toneladas de CO₂e. No plano social, os programas de proximidade promovidos através das farmácias geram mais de 150 mil interações anuais com a população, incluindo o programa abem:, que apoiou mais de 16 mil beneficiários em situação de vulnerabilidade em 2025.

Cada 1 euro da atividade das farmácias gera 3,21 euros em toda a economia

Além do impacto na saúde, o setor tem um contributo relevante para a economia nacional e é fator de desenvolvimento dos territórios, particularmente no interior. A rede contribuiu para reduzir despesa do SNS e devolve 7,8% do orçamento do SNS em receita fiscal para o Estado.

As farmácias comunitárias são responsáveis diretamente por 21.632 postos de emprego, com um peso mais significativo no emprego total em distritos do interior. Cada emprego nas farmácias cria mais 1,45 empregos na restante economia.

Em 2024, as farmácias geraram cerca de 3.985 milhões de euros em volume de negócios, numa escala comparável à da Autoeuropa, mas que ao invés de concentrada num único território se encontra distribuída por micro e pequenas empresas presentes nos 308 concelhos do país e ilhas. A atividade do setor representou ainda 1.066,6 milhões de euros de VAB direto e 478 milhões de euros em remunerações.

O impacto económico total da atividade foi estimado pelo Estudo da N SBE em 3.230 milhões de euros de PIB, o equivalente a 1,12% do PIB nacional. Segundo a análise Input-Output do INE, o setor é responsável por 2.496 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB) e por 53 mil empregos sustentados em todo o país.

Por cada euro de produção gerado pelas farmácias, são criados 3,21 euros de produção total na economia portuguesa. O impacto fiscal anual ascende a 1.214 milhões de euros em receitas para o Estado, através de IVA, IRS, Segurança Social e IRC, valor equivalente a 7,8% do orçamento do SNS em 2024.