Incontinência urinária afeta maioria das portuguesas com mais de 50 anos

Mais de metade (61%) das mulheres portuguesas com mais de 50 anos já tiveram episódios de incontinência urinária, mas quase um terço (29%) nunca falou com ninguém sobre o assunto. Esta é uma das principais conclusões do primeiro grande estudo nacional sobre a prevalência e o impacto da incontinência urinária feminina, promovido pela Ausonia Discreet e conduzido pela empresa de investigação Spirituc, lançado no mês em que se assinala a Semana Mundial da Continência.

O estudo inquiriu 1.200 mulheres com mais de 50 anos residentes em Portugal, com uma margem de erro de 2,8% (intervalo de confiança de 95%), e lança uma nova luz sobre uma condição que, apesar de conhecida por 98% das inquiridas, permanece cercada de silêncio e resignação. Para 39% das mulheres que vivem com a condição, os episódios ocorrem pelo menos uma vez por semana, e 18% relata perdas diárias — um impacto contínuo que vai muito além do físico.

A vergonha, o desconforto ou a normalização da incontinência como “algo da idade” são os principais motivos que levam as mulheres a sofrer em silêncio. A investigação revela que entre as que não falam, 75,2% normalizam os episódios (51,9% consideram pouco frequente e 23,3% consideram normal).

“Estes dados mostram que a incontinência urinária não é um problema de nicho, é uma realidade partilhada por uma maioria de mulheres a partir de certa idade. Com este estudo, o nosso objetivo é quebrar o ciclo de silêncio”, afirma, em comunicado, Luís Cardoso, diretor de Vendas e Marketing de Ausonia Discreet.

“Queremos dar às mulheres os dados e a confiança para que percebam que não estão sozinhas e que não têm de viver com limitações. O primeiro passo é normalizar a conversa.”

O impacto na qualidade de vida é uma das conclusões mais marcantes do estudo. Uma em cada cinco mulheres inquiridas (20%) admite que já deixou de fazer atividades de que gosta, como exercício físico (38%), passeios (24%) e convívios (10%), por causa das perdas de urina.

Paradoxalmente, existe uma grande consciencialização sobre a existência de soluções: 89% das mulheres sabem que a incontinência urinária pode ter tratamento. Contudo, metade das visadas nunca procurou ajuda profissional. Quando o fazem, o médico de família é o porto seguro, sendo o profissional de saúde mais procurado por 7 em cada 10 mulheres para gerir a situação.

O estudo foi conduzido pela Spirituc – Investigação Aplicada, entre os dias 16 de fevereiro e 3 de março de 2026, junto de uma amostra de 1.200 mulheres com mais de 50 anos residentes em Portugal, à qual corresponde uma margem de erro de 2,8% para um intervalo de confiança de 95%. De forma a garantir representatividade em todas as faixas etárias, foi adotada uma metodologia mista: questionário online (CAWI) para a população entre os 50 e os 64 anos, e questionário telefónico (CATI) para a população com 65 ou mais anos.