Estudo relaciona exposição a pesticidas na infância com idade da primeira menstruação

Um estudo conduzido pela Universidade de Valência identificou uma associação entre a exposição a determinados pesticidas na infância e a idade da primeira menstruação.

Os resultados da investigação foram obtidos a partir de um inquérito a 506 raparigas entre os 7 e os 10 anos de idade, de várias províncias espanholas, com seguimento até aos 16 anos.

A investigação, liderada pela Universidade de Granada e publicada na revista Environmental Research, indica que alguns fungicidas estão associados à menarca precoce, enquanto outros compostos estão associados ao atraso, noticiou na segunda-feira a agência Efe.

Especificamente, a exposição a fungicidas da família dos ditiocarbamatos, utilizados para prevenir doenças nas plantações, está ligada à menarca precoce.

Em contrapartida, a exposição ao clorpirifós, um inseticida utilizado há anos na agricultura e atualmente proibido na União Europeia, está associada ao atraso da menarca.

Os resultados sugerem que estes pesticidas, considerados disruptores endócrinos, podem interferir com o sistema hormonal.

A principal via de exposição na população é através da alimentação, especialmente de frutas e legumes cultivados por métodos convencionais.

A investigadora María José López-Espinosa, docente do Departamento de Enfermagem da Universidade de Valência (UV), explicou que este estudo “é particularmente relevante, pois é um dos primeiros a analisar prospetivamente a relação entre a exposição na infância a pesticidas não persistentes atualmente utilizados e a idade da menarca”.

Na sua opinião, identificar os fatores ambientais que podem influenciar o início da menstruação é uma prioridade de saúde pública, dado que a menarca precoce tem sido associada a um maior risco de desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares, bem como de certos tipos de cancros hormono-dependentes na vida adulta.

O estudo, realizado nas Astúrias, Gipuzkoa, Sabadell e Valência, insere-se no projeto INMA (Infância e Ambiente), que acompanha crianças há mais de duas décadas para analisar o impacto dos fatores ambientais na sua saúde.

A Lusa relata que os autores realçaram ainda a necessidade de mais investigação sobre estes efeitos para melhorar a prevenção e a proteção da saúde pública.