Um hidrogel feito de componentes naturais permite a administração localizada e sustentada de quimioterapia em tumores sólidos, de acordo com um estudo.
Os investigadores do Instituto de Investigação Vall d’Hebron (VHIR), de Barcelona, Espanha, desenvolveram um novo hidrogel macio e injetável, feito com polímeros naturais, que demonstrou atividade antitumoral em modelos pré-clínicos de cancro do ovário e glioblastoma, sendo capaz de atuar como reservatório local de quimioterapia.
O sistema, feito com celulose e quitosano, apresenta “uma elevada biocompatibilidade e uma potencial redução da toxicidade sistémica associada aos tratamentos convencionais”, destacou na terça-feira o instituto, após a publicação do estudo na revista Carbohydrate Polymer Technologies and Applications.
A investigadora principal do estudo, Diana Fernandes, explicou, segundo a Lusa, que o objetivo era desenvolver uma plataforma “completamente natural e sustentável” que permitisse a administração do tratamento diretamente no tumor e a “manutenção da sua libertação durante dias ou semanas”, minimizando assim os efeitos secundários em tecidos saudáveis no restante corpo.
Para incorporar o docetaxel, um fármaco “muito potente, mas pouco solúvel”, os investigadores encapsularam-no em micelas poliméricas (um conjunto de moléculas que constitui uma das fases dos colóides) com 72 nanómetros de diâmetro, que foram depois integradas no hidrogel.
Com esta estratégia, o sistema conseguiu libertar 70% do fármaco ao longo de 14 dias e manter a sua estrutura durante mais de três semanas em condições fisiológicas.
Antes do fabrico, os investigadores do VHIR também utilizaram simulações moleculares e ferramentas de modelação computacional para melhor prever as interações entre os diferentes componentes do sistema e otimizar a sua formulação.
Além disso, avaliaram a biocompatibilidade do sistema em fibroblastos saudáveis e observaram que não produziu toxicidade nem stress oxidativo.
Os resultados demonstraram que as micelas libertadas pelo hidrogel são capazes de penetrar profundamente nos esferóides tumorais, para além de exercerem uma atividade citotóxica sustentada.
Embora sejam resultados de um estudo pré-clínico, os investigadores acreditam que este tipo de tecnologia pode ser adaptado a outros tipos de tumores sólidos e a diferentes medicamentos.




