A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que sejam necessárias 1.600 camas hospitalares e mais 5.000 profissionais de saúde para responder à epidemia de ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), anunciou hoje esta agência da ONU.
Esta é a estimativa da OMS para responder à segunda epidemia de ébola mais grave da história desde a descoberta desta doença, em 1976.
Desde maio, quando foi declarado que a epidemia constituía uma emergência de saúde pública de importância internacional, foram disponibilizadas cerca de 1.400 camas em 59 centros especializados de tratamento, mas o número de doentes implica a necessidade de meios adicionais.
“Mais de 900 camas foram instaladas durante os dois primeiros meses, numa das operações de expansão da capacidade de resposta ao ébola mais rápidas de que há registo, mesmo em comparação com a resposta ao surto da África Ocidental”, que em 2015 causou mais de 11.000 mortes, afirmou o especialista da OMS Luca Fontana.
Quanto ao pessoal, a Lusa refere que existem atualmente 4.000 profissionais, mas são necessários 9.000 no total, uma vez que uma doença tão contagiosa e difícil de tratar como o ébola requer três profissionais de saúde por cada doente, detalhou.
Numa conferência de imprensa em Genebra, após ter regressado de uma missão para avaliar o estado do surto de ébola, Fontana recordou que estas necessidades fazem aumentar rapidamente o orçamento destinado a conter a epidemia, que inclui até tarefas como a instalação de sistemas de água, painéis solares e outros serviços básicos.
“Sempre que um profissional de saúde entra na zona dos doentes com todo o equipamento de proteção individual, o custo é de aproximadamente 25 dólares [21,53 euros]. Temos centenas de profissionais a entrar diariamente na zona dos doentes, e basta pensar nestes equipamentos de proteção individual, que têm de ser adquiridos, transportados de avião, utilizados uma única vez e eliminados de forma segura no terreno”, explicou.
O especialista indicou também que é necessário um plano “mais descentralizado” para gerir este surto e aproximar os serviços das comunidades.
A OMS considera que, nesta fase, a resposta ao ébola necessita de novos parceiros e organizações internacionais que ajudem a manter as instalações operacionais e a prestar cuidados aos doentes.
O número de casos na RDCongo aumentou para 6.686 tornando-se esta a epidemia mais letal de sempre da doença no país.
Segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) de Kinshasa o número de casos registados até ao momento chegou aos 6.686, sendo que 1.563 doentes recuperaram e 3.226 morreram, o que se traduz numa taxa de letalidade de 48,3%.
A RDCongo, que em dezembro de 2025 decretou o fim de outra epidemia na região de Kasai, é considerado o país com mais experiência do mundo na gestão do Ébola, tendo enfrentado mais de uma dezena de surtos e epidemias desde que o vírus foi identificado, em 1976.
O vírus do Ébola é transmitido por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.




