Cientistas do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto descobriram que o cancro do estômago pode ser alimentado pela gordura, abrindo portas a terapias para bloquear esta interação que favorece a progressão da doença.
A investigação “identificou uma nova forma de comunicação entre células do cancro do estômago e células do tecido adiposo”, mostrando que a interação “pode fornecer energia às células tumorais, favorecendo a progressão da doença”, descreve o i3S num comunicado, enviado à Lusa.
Os investigadores acreditam que a descoberta “poderá abrir caminho ao desenvolvimento de novas terapias capazes de bloquear a troca de mensagens entre as células cancerígenas e as células de gordura, dificultando o acesso do tumor a esta fonte de energia”.
O i3S destaca, por isso, o “potencial impacto” da investigação “no controlo da progressão do cancro”.
Por outro lado, considera que a investigação pode “contribuir para combater problemas frequentemente associados à doença, como perda acentuada de peso, de massa muscular e de gordura corporal, afetando de forma significativa a qualidade de vida e a sobrevivência dos doentes com cancro”.
“Ao revelar uma nova forma de interação entre o tumor e os tecidos que o rodeiam, este trabalho reforça a importância de compreender não apenas as células cancerígenas, mas também o ambiente em que estas se desenvolvem”, sublinha.
No estudo, os investigadores analisaram células de cancro do estômago que apresentam à superfície uma molécula de açúcar (chamada sialyl-Tn), frequentemente encontrada em tumores mais agressivos.
Esta molécula foi identificada “como um elemento central” no processo de comunicação entre o tumor e o tecido adiposo.
“Verificámos que estas células libertam pequenas partículas, conhecidas como vesículas extracelulares, que funcionam como «mensagens» enviadas para outras células do organismo”, refere Daniela Freitas, investigadora do i3S e coordenadora do estudo.
Quando estas partículas chegam às células de gordura, elas começam “a libertar mais ácidos gordos, moléculas ricas em energia que podem ser aproveitadas pelas células tumorais”.
“Observámos que as células cancerígenas conseguem adaptar-se para utilizar essa gordura como combustível. Ao terem acesso a esta fonte adicional de energia, tornam-se mais móveis e podem ganhar uma maior capacidade de invadir os tecidos vizinhos”, sublinha Cátia Ramos, primeira autora do estudo.




