
Por ocasião do Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, que se assinala hoje, a Alzheimer Portugal lança uma Carta Aberta dirigida ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Ministério da Saúde, ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, ao INFARMED e a todos os decisores com responsabilidade na resposta às Demências em Portugal. Sob o mote ‘Doença de Alzheimer em Portugal: O Custo do Adiamento e o Valor do Tempo’, a iniciativa alerta para a urgência de transformar as prioridades identificadas em ação concreta.
Em Portugal, estima-se que cerca de 240 mil pessoas vivam com Demência, de acordo com o Relatório da Alzheimer Europe The Prevalence of Dementia in Europe 2025. É tempo de priorizar e agir, sob pena de a vida destas pessoas e das suas famílias piorar cada vez mais. “A Doença de Alzheimer não espera. Cada adiamento no diagnóstico, no acesso aos cuidados e na preparação do sistema traduz-se em tempo perdido para os doentes, para os cuidadores e para as famílias. Portugal tem hoje a oportunidade de garantir uma resposta integrada, equitativa e centrada nas pessoas que vivem com Doença de Alzheimer e outras formas de Demência, que reconheça o valor do diagnóstico atempado, da inovação e do apoio a quem cuida”, afirma, em comunicado, Rosário Zincke dos Reis, presidente da Direção Nacional da Alzheimer Portugal.
Após mais de duas décadas sem novas terapias, a aprovação europeia de dois medicamentos inovadores abriu uma nova etapa no tratamento da Doença de Alzheimer em fases iniciais. Estes medicamentos promovem a remoção das placas amiloides envolvidas na doença e os estudos apontam para uma redução da progressão cognitiva de aproximadamente 30% ao longo de 18 meses. Embora já se encontrem a ser comercializados em Portugal, a ausência de comparticipação limita o acesso a quem dispõe de capacidade financeira para suportar os custos associados ao tratamento.
A Associação defende que a avaliação das novas opções terapêuticas considere não apenas o seu custo direto, mas também os custos sociais e económicos da doença, incluindo a sobrecarga emocional e financeira das famílias, o impacto na vida profissional dos cuidadores e os potenciais ganhos para o sistema de saúde e de proteção social.
A Carta Aberta sublinha que a resposta não pode limitar-se à intervenção farmacológica. O diagnóstico precoce é decisivo para permitir o planeamento dos cuidados, o apoio às famílias e a intervenção numa fase em que existem oportunidades terapêuticas. Persistem, contudo, obstáculos na identificação dos primeiros sinais, na referenciação, no acesso a consultas especializadas e na capacidade de resposta ao longo do percurso diagnóstico.
Entre as medidas propostas, a Alzheimer Portugal apela à continuação da implementação do Plano Nacional da Saúde para as Demências, à definição das Demências como prioridade nacional de saúde, à avaliação e melhoria dos percursos de cuidados nas Unidades Locais de Saúde e à sensibilização da população e dos profissionais de saúde para a importância de um diagnóstico atempado e rigoroso.
A associação exige ainda um acesso equitativo à inovação no diagnóstico e na intervenção farmacológica, a participação efetiva das pessoas com Demência, dos cuidadores e das Associações de Doentes nas decisões em saúde e a incorporação dos custos sociais da doença na Avaliação de Tecnologias de Saúde.
Para a Alzheimer Portugal, o tempo tem valor: para diagnosticar mais cedo, preservar a autonomia, apoiar as pessoas com Doença de Alzheimer e quem delas cuida, preparar o Serviço Nacional de Saúde e tomar decisões que assegurem um acesso justo e sustentável. A mensagem aos decisores é clara: não é possível continuar a adiar uma resposta integrada à Doença de Alzheimer — é tempo de agir.
Ao apelar a uma resposta nacional que valorize o diagnóstico atempado, o acesso aos cuidados e à inovação e o apoio às Pessoas com Demência e às suas famílias, esta Carta Aberta concretiza, em Portugal, o apelo global para agir mais cedo e de forma mais efetiva.




