“Quando se entra no mercado de trabalho, a Farmácia Comunitária não oferece as melhores condições. Há colegas que ficam e adoram, mas poderia ser mais apetecível”, declarou Joana Esteves, elemento da direção da Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos (APJF).
A farmacêutica falava na sessão ‘Dos jovens ao futuro da intervenção farmacêutica’, que aconteceu hoje, na Expofarma. Moderada por Tiago Gonçalves, editor executivo da Revista Saúda, a sessão contou ainda com a participação de Patrícia Guimarães, proprietária da Farmácia Gramacho e membro do Conselho Fiscal da Associação Nacional das Farmácias (ANF), de Afonso Garcia, presidente da APEF, e de Humberto Martins, presidente da Secção Regional do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Farmacêuticos (SRSRA-OF).
Ainda de acordo com Joana Esteves, quando em questão estão as farmácias comunitárias, “estamos a falar de empresas pequenas em que a progressão vertical é limitada, mas temos de mostrar que há mais do que crescer profissionalmente na vertical”.
A farmacêutica falou ainda do Pacto pela Valorização da Profissão e da Atividade do Farmacêutico, promovido pela Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos (APJF), e assinado por várias instituições do setor. Neste ponto, referiu que “o nosso trabalho está a ser muito o de monitorizar o que foi feito no Pacto”.
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“Temos de passar a preocupar-nos com o impacto que vem do Pacto”, complementou Humberto Martins.
Poucos especialistas
O presidente da SRSRA-OF, abordando a questão dos serviços farmacêuticos, declarou que o seu alargamento “já está a acontecer” e “temos tido diferentes fases de intervenção”, sendo que, neste ponto, “precisamos que as intervenções farmacêuticas ganhem indispensabilidade”.
Não obstante, até para salvaguardar a prestação dos serviços, é preciso “continuarmos a apostar na diferenciação”. Neste sentido, o responsável revelou que “temos poucos especialistas em farmácia comunitária”. Para ultrapassar esta dificuldade, “estamos a tentar remover barreiras, como o acesso aos próprios exames”, acrescentou Humberto Martins.
Estimular o interesse pela Farmácia Comunitária
Quanto a Afonso Garcia, o estudante de Ciências Farmacêuticas, concordou com o facto de haver um “certo desinteresse em relação à Farmácia Comunitária”, por parte dos estudantes. Uma realidade que “me deixava inquieto porque é a área onde mais farmacêuticos trabalham”.
Dadas estas circunstâncias, a APEF tem feito alguns projetos com o intuito de a ‘contrariar’, como o Livro Branco do Ensino Farmacêutico.
Mas Afonso Garcia falou ainda de outro projeto que “estamos a iniciar” relacionado com os estágios, que consiste em fazer com que os estudantes, durante o estágio, “consigam desenvolver projetos em várias áreas de intervenção do farmacêutico, como a adesão à terapêutica”. A missão é, por um lado, “estimular que a experiência dos estudantes seja mais benéfica” e, por outro, “estimular o interesse dos estudantes pela Farmácia Comunitária”.
Atração, retenção e desenvolvimento de talento
“A ANF lançou o projeto de atração, retenção e desenvolvimento de talento em Farmácia Comunitária, que passa por reforçar o orgulho” em ser farmacêutico, declarou Patrícia Guimarães, revelando que “os salários e os horários são apontados como os fatores de maior descontentamento”.
A farmacêutica falou ainda da criação de um guia prático relacionado com os estágios curriculares, visto ser “necessário oferecer a melhor experiência aos estudantes. Se tiverem uma boa experiência durante o estágio, vai aumentar a motivação” para continuarem a trabalhar em farmácia comunitária.




