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Ministério da Saúde vai analisar estudo da Deco sobre prescrição de antibióticos
12-Maio-2014

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, afirmou no sábado que vai «analisar» o caso de prescrições de antibióticos sem necessidade, destacando o programa que a Direção-Geral de Saúde (DGS) está a desenvolver para enfrentar o problema.

«Temos alertado para esta questão e a DGS tem tido um papel muito ativo», afirmou Paulo Macedo aos jornalistas, à margem da cerimónia de encerramento do 6.º Encontro das Unidades de Saúde Familiar (USF), que decorreu no Porto.

«A Deco fez este estudo que vamos analisar mas, sobretudo, a DGS está a desenvolver um programa para precisamente enfrentar esta questão», disse o governante.

Em causa está uma experiência da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor para avaliar a prescrição de antibióticos, que demonstrou que, em 50 consultas médicas, 20 clínicos prescreveram estes fármacos sem necessidade para casos de dores de garganta.

Segundo Paulo Macedo, «a preocupação que há com esta má prescrição é, em primeiro lugar, com as pessoas, depois em relação ao que isto quebra de barreiras em termos de eficácia» dos antibióticos, apontou a “Lusa”.

Para esta experiência foram escolhidas unidades de saúde, públicas e privadas, de forma aleatória, nas áreas da Grande Lisboa e Grande Porto, tendo a Deco pedido a colaboradores, que não tinham quaisquer problemas, que indicassem ao médico sentir dores de garganta, mas sem febre nem qualquer outro sintoma.

«Nas 50 consultas, os médicos observaram a garganta e procuraram inteirar-se dos sintomas. Em 20 casos, receitaram de imediato um antibiótico», refere a Deco num artigo publicado na sua página na Internet.

Nas restantes 30 situações, os supostos doentes perguntaram, sem insistir, se não seria melhor recorrer a um antibiótico. Numa unidade de saúde foi prescrito um daqueles fármacos, com a indicação de que só deveria ser tomado «se a situação piorasse, tivesse febre e pontos brancos na garganta».

«O uso incorreto e desregrado de antibióticos tem contribuído para aumentar a resistência das bactérias. Se não forem tomadas medidas para travar o desenvolvimento destas resistências, em poucos anos ficaremos sem armas para combater as infeções bacterianas», avisa a associação de defesa do consumidor.

Ordem dos Médicos abre inquérito a prescrição de antibióticos sem necessidade

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, afirmou igualmente no sábado que vai ser aberto um inquérito ao caso da prescrição de antibióticos sem necessidade para «intervir pedagógica e, eventualmente, disciplinarmente».

A abertura de um inquérito visa «entender a razão de uma tão elevada prescrição de antibióticos de forma aparentemente injustificada», disse o bastonário, acrescentando que a Ordem «não pode ignorar que isto aconteceu».

A Ordem pretende avaliar em que moldes os médicos prescreveram os antibióticos, mas também «entender qual o comportamento dos falsos doentes, como é que induziram eventualmente à prescrição».

«Mesmo assim, um exame objetivo facilmente permitiria perceber que não haveria indicação para a prescrição», sustentou José Manuel Silva, citado pela “Lusa”.

O bastonário alertou para o «exagero de prescrição» destes fármacos, considerando que «parte da responsabilidade também é da população, que muitas vezes pressiona o médico» para tal.

«Tudo isto faz parte de um processo de evolução, diria científico e cultural, para que se evite a prescrição exagerada de antibióticos, que é profundamente prejudicial para a saúde humana», destacou.

José Manuel Silva lembrou, ainda, que esta problemática se prende também, e muito, com a indústria agroalimentar.

Cerca de «80% da utilização de antibióticos é na indústria agroalimentar. A sociedade deve começar a ter consciência» desta matéria, disse, lembrando que estes fármacos vão progressivamente deixando de fazer efeito por causa das resistências que as bactérias vão adquirindo.

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