DGS receia que aprovação de vacinas pelo parlamento abra precedente 0 251

A diretora-geral da Saúde receia que a decisão do parlamento de incluir vacinas no programa da vacinação abra um precedente num assunto que é do foro da prescrição médica.

«Pode acontecer que se abra um precedente num assunto que é do foro da prescrição médica e da prescrição da saúde», disse, acrescentando que tem «a certeza absoluta» que os parlamentares que tomaram esta decisão são «pessoas extremamente sensíveis a estas questões» e que estarão atentos para, no futuro, «tentarem não incorrer em algum tipo de situação que possa por em risco os critérios técnico-científicos, a evidência científica e as boas práticas médicas».

Em conferência de imprensa realizada na Direção-geral da Saúde, em Lisboa, Graça Freitas afirmou que a DGS tomou «boa nota» da opção do parlamento.

«A comissão de saúde ouviu e bem a indústria farmacêutica e outras entidades a este respeito, mas eu gostaria que também tivesse ouvido a DGS e a comissão técnica da vacinação e tivesse tido em conta os vários pareceres que a DGS mandou ao longo dos anos para o parlamento», afirmou.

O parlamento aprovou na terça-feira, na especialidade do Orçamento do Estado, a integração das vacinas da meningite B, do rotavírus e do HPV para os rapazes no Programa Nacional de Vacinação.

Segundo Graça Freitas, as três vacinas incluídas pelo parlamento no PNV estão a ser analisadas pela comissão técnica de avaliação.

Relativamente à rotavírus, a diretora-geral explicou que, de ponto de vista estritamente técnico, a doença «não tem peso suficiente em Portugal» para ser candidata a um programa de vacinação universal.

Sobre a vacina da meningite B, Graça Freitas afirmou que há estudos em curso: «Nós temos de saber, de acordo com a bactéria que circula no nosso país, se a vacina é efetiva ou não», explicou.

Já para o HPV, a comissão técnica de vacinação tem, neste momento, os dados que vão permitir, a curto prazo, emitir uma recomendação, avançou a responsável.

À agência “Lusa”, Graça Freitas garantiu que a DGS vai aguardar pela decisão final do parlamento e ter em conta o que vai ficar recomendado para atuar em conformidade.

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