
Cheguei a Hengqin, província de Guangdong, há um mês. Desde o primeiro dia que o impacto do desenvolvimento tecnológico me despertou interesse e curiosidade em saber mais sobre o que se passa neste lado do mundo.
No dia 1 de julho iniciei um estágio na MedPHA, uma empresa que investe em inovação biotecnológica sobretudo no desenvolvimento de polímeros de origem biológica e totalmente biodegradáveis, como o PHA. Este último consiste num poli-hidroxialcanoato que tem origem na fermentação da glucose a partir de bactérias. Após a fermentação, o PHA é extraído, sendo produzido em larga escala e podendo ser depois utilizado na indústria, em dispositivos médicos ou ainda transformado numa pequena molécula de beta-hidroxibutirato (D3HB).
O PHA industrial pode ser aplicado a vários produtos entre os quais cápsulas de café e tampas para garrafas, sendo já utilizado por diversas marcas na China continental, na Região da Grande Baía e ainda na Europa. Em relação ao PHA médico, este provém do PHA industrial e tem diversas aplicações, sobretudo em dispositivos médicos, como microesferas, nanofilamentos, suturas e adesivos médicos. Este tipo de PHA tem ainda uma característica fundamental, é extremamente biocompatível com o organismo humano, o que lhe atribui uma vantagem competitiva no mercado. Por último, o D3HB é uma molécula extraída do PHA e utilizada como suplemento alimentar, melhorando substancialmente a insónia, cansaço, fadiga e concentração.
Mais do que o contacto direto com uma tecnologia inovadora, este estágio tem-me permitido compreender como a investigação científica pode ser transformada em soluções com impacto real na indústria, na saúde e na sustentabilidade. Estar em Hengqin é acompanhar de perto um ecossistema onde a inovação acontece a um ritmo impressionante, sendo a biotecnologia protagonista na construção de um futuro mais ecológico e sustentável.
Camila Mendonça
Estudante Universitária na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa




