A IA já está a mudar a Indústria Farmacêutica. Portugal pode ser um hub até 2032?

Em julho, Portugal tornou-se o primeiro Estado-Membro da União Europeia a integrar a rede regulatória global da HealthAI, que junta reguladores de vários países para acompanhar a utilização da IA na saúde. É um sinal claro de ambição do lado do regulador. O desafio passa agora para a indústria, que tem de integrar a IA no desenvolvimento de medicamentos.

Na descoberta de fármacos, a IA já permite prever a estrutura de proteínas e desenhar moléculas candidatas para alvos específicos. O rentosertib, para a fibrose pulmonar idiopática, é um dos casos mais avançados. A IA ajudou a identificar o alvo e a desenhar a molécula, e o candidato percorreu depois o caminho habitual de validação no laboratório e em ensaios clínicos até chegar, em 2026, à fase 3.

Ainda assim, no Life Sciences Executive Outlook 2026 da Deloitte, que ouviu 280 executivos internacionais do setor, apenas 22% dizem ter conseguido escalar a IA nas suas organizações, e só 9% reportam retornos significativos. Em Portugal, a APIFARMA tem chamado a atenção para a fragmentação dos dados de saúde, que obriga a um trabalho de estruturação e interoperabilidade ainda em curso.

Segundo dados preliminares da mesma, as exportações da indústria farmacêutica portuguesa atingiram 4.954 milhões de euros em 2025, mais 41,3% do que no ano anterior. Esta escala é uma base onde a IA pode ter impacto real, desde que haja quem saiba ligá-la à realidade das empresas. Parte desse conhecimento está nas mãos de portugueses e portuguesas que lideram equipas e empresas do setor noutros países.

É esta ponte que o Pharma Bridge Day – que se realiza a 4 de novembro, às 18h30, no Parque dos Poetas, com transmissão online – , quer construir. Isabel Afonso (Arcera), Marta Amaral (Sanofi), José Santos (Nurix Therapeutics) e João Afonso (Augusta Labs) vão discutir o que ainda trava a adoção da IA nas organizações e as competências que Portugal precisa de desenvolver para se aproximar de uma posição de referência europeia no setor até 2032, numa conversa moderada por Daniel Guedelha, CEO da GenH.

 

Catarina Tavares Cavaleiro

GIMM

 

Referências

  1. HealthAI (julho de 2026). Portugal Becomes First European Union Member State to Join the HealthAI Global Regulatory Network. https://healthai.agency/portugal-becomes-first-european-union-member-state-to-join-the-healthai-global-regulatory-network/
  2. Insilico Medicine (julho de 2026). Insilico initiates Phase III clinical trial of rentosertib. https://insilico.com/news/xmjsn4l091-insilico-initiates-phase-iii-clinical-tr
    Registo do ensaio em ClinicalTrials.gov, NCT07687459. https://clinicaltrials.gov/study/NCT07687459
  3. Deloitte (2026). 2026 Life Sciences Executive Outlook. https://www.deloitte.com/global/en/insights/industry/health-care/life-sciences-and-health-care-industry-outlooks/2026-life-sciences-executive-outlook.html
  4. ECO (20 de janeiro de 2026). Setor privado pede maior acesso aos dados do SNS, com declarações de Filipa Mota e Costa, vice-presidente da APIFARMA. https://eco.sapo.pt/2026/01/20/setor-privado-pede-maior-acesso-aos-dados-do-sns/
  5. APIFARMA (fevereiro de 2026). Comércio Internacional, Ano 2025 (dados preliminares, com base no INE). https://apifarma.pt/wp-content/uploads/2026/02/Comercio-Internacional-Ano-2025_202602.pdf
  6. GenH. Pharma Bridge Day. https://www.thegenh.com/pbd