15.º Congresso das Farmácias e Expofarma’26: Três dias para discutir e experimentar o futuro

Durante muitos anos, os congressos do setor farmacêutico foram sobretudo espaços de debate e atualização científica. Hoje, acredito que os profissionais procuram algo mais: experiências capazes de ligar conhecimento, prática, inovação e relação humana num mesmo ambiente. Foi exatamente essa visão que procurámos concretizar no 15.º Congresso das Farmácias, na Expofarma’26 e na Gala Solidária das Farmácias.

Ao longo de três dias, que se iniciam já amanhã, o Centro de Congressos de Lisboa será muito mais do que um recinto de conferências. Será um espaço onde o setor se encontra consigo próprio e com o seu contexto, discute os seus desafios, experimenta soluções, partilha experiências e reforça relações profissionais e pessoais que fazem parte da identidade da farmácia comunitária.

O Congresso será, naturalmente, o coração dessa reflexão. O programa foi desenhado para equilibrar visão estratégica e aplicabilidade prática. Teremos sessões plenárias focadas nos grandes temas que hoje moldam o futuro das farmácias — sustentabilidade, integração de cuidados, transformação digital, liderança e inovação — mas também sessões profundamente ligadas à realidade diária da profissão.

Essa ligação à prática sente-se, por exemplo, nas sessões dedicadas às situações clínicas ligeiras, trabalhadas através de casos concretos e percursos reais de intervenção farmacêutica. Mais do que discutir conceitos abstratos, queremos discutir decisões clínicas, proximidade às pessoas e respostas concretas às suas necessidades.

Ao mesmo tempo, haverá espaço para ouvir perspetivas distintas e desafiantes. O programa junta profissionais de saúde, especialistas internacionais, decisores, académicos e representantes de diferentes áreas do sistema de saúde. Essa diversidade é essencial porque o futuro da farmácia não se constrói isoladamente. Constrói-se em articulação com outros profissionais, outras competências e outras formas de olhar para os cuidados de saúde.

Outro dos aspetos que considero particularmente importante nesta edição é o reforço da componente científica. Os pósteres científicos e as comunicações orais representam hoje muito mais do que uma tradição: traduzem a maturidade de um setor que quer produzir evidência, medir impacto e participar ativamente na construção de conhecimento.

Mas seria um erro pensar que tudo acontece apenas dentro das salas. A Expofarma foi concebida precisamente para complementar essa reflexão. É ali que muitas das ideias debatidas no Congresso ganham forma concreta: tecnologias, novos serviços, soluções digitais, ferramentas de apoio à gestão e novos modelos de relação com os utentes. A inovação deixa de ser discurso e passa a experiência prática.

Ao longo do dia, os espaços da exposição foram também pensados como locais de encontro e circulação informal entre profissionais, parceiros e empresas. E isso não é um detalhe. Muitas vezes, são precisamente essas conversas espontâneas, fora do contexto formal das sessões, que permitem criar novas ideias, partilhar dificuldades comuns e construir oportunidades futuras.

Essa dimensão de convívio prolonga-se até ao final de cada dia, com momentos de networking integrados na própria dinâmica da Expofarma. Queremos que os participantes sintam que este é também um espaço de comunidade, de proximidade e de celebração daquilo que une o setor.

A própria organização do evento foi pensada para tornar essa experiência mais integrada e fluida. A nova aplicação móvel permitirá aos participantes gerir agendas, consultar conteúdos científicos, acompanhar notícias do evento e interagir em tempo real com as diferentes atividades do Congresso e da Expofarma.

E depois haverá um dos momentos mais simbólicos destes três dias: a Gala Solidária das Farmácias. Mais do que um encerramento, será uma afirmação de valores. Um setor que fala de proximidade, acesso e impacto social tem também de saber traduzir esses princípios em ações concretas junto da sociedade. Este ano, os fundos angariados revertem para dois projetos que muito nos dizem: o Programa Abem e a Plataforma Saúde em Diálogo.

No fundo, aquilo que esperamos construir nestes três dias é uma experiência completa do setor farmacêutico português. Um espaço onde se pensa estrategicamente, mas onde também se experimenta, se debate, se convive e se reforça aquilo que talvez continue a ser o maior ativo das farmácias: a capacidade de cuidar das pessoas com proximidade, competência e confiança.

Contamos consigo. Vemo-nos no Centro de Congressos de Lisboa!

Paulo Fernandes
Presidente da Comissão Organizadora do 15.º Congresso das Farmácias