Utentes pedem mais ambição na quota de genéricos para maior poupança

A Associação de Utentes de Medicamentos Genéricos (UMG) apelou hoje a maior ambição na quota de genéricos em Portugal, lembrando que uma subida para 75% traria mais 300 milhões de euros/ano de poupança.

Em comunicado, a recém-constituída associação lembra que, se em vez dos atuais 52% Portugal conseguisse uma quota de 75%, a poupança tal anual para o Estado, para o Serviço Nacional de Saúde e para as famílias poderia aproximar-se dos 1.000 milhões de euros.

A UMG defende que esta meta “é perfeitamente atingível a curto prazo” e pede ao Governo e aos reguladores que se comprometam com metas mais ambiciosas.

Segundo os últimos dados divulgados pela associação nacional dos medicamentos genéricos, em 2025, estes fármacos permitiram poupar em Portugal mais de 666 milhões de euros.

A associação diz que o preço dos medicamentos de marca é injustificado, sobretudo em Portugal, o segundo país mais envelhecido da União Europeia, onde dois em cada três pensionistas vivem abaixo do limiar de pobreza e continua a pagar-se mais por medicamentos “sem benefício terapêutico adicional”.

“Não é uma escolha informada, é uma falha do sistema”, sublinha.

Na véspera de se assinalar o Dia Nacional do Medicamento Genérico, a associação, como relata a Lusa, recorda que os estes medicamentos estão sujeitos a critérios de qualidade, segurança e eficácia idênticos aos de marca.

Diz ainda que a diferença de preço dos medicamentos de marca não reflete superioridade clínica, mas sim estratégias comerciais, judiciais e “hábitos enraizados que persistem no circuito da prescrição médica e da dispensa em farmácia”.

Esta realidade tem como consequências o agravamento da despesa das famílias, sobretudo das mais vulneráveis, o abandono ou adiamento de terapêuticas e o aumento da despesa pública com comparticipações, além de distorcer o princípio da equidade no acesso à saúde.

A UMG considera inaceitável que continue a existir “desinformação que penaliza diretamente os mais frágeis” e insiste que o medicamento genérico tem equivalência terapêutica comprovada.

“O resto é construção de mercado, é influência, é hábito alimentado por décadas de pressão comercial sobre prescritores e perceções públicas”, acrescenta associação.

Segundo dados do Infarmed, a despesa das famílias com medicamentos subiu no ano passado, ultrapassando os 966 milhões de euros. Nos primeiros três meses deste ano, já atingiu os 243 milhões (+3,2 milhões de euros).