A União Europeia vai reforçar a segurança do leite artificial infantil com novos limites para as toxinas permitidas, após uma contaminação no início do ano ter provocado problemas gastrointestinais em vários bebés na Europa.
Em causa está a toxina cereulida, que pode causar náuseas, vómitos e diarreia, e que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, tinha sido detetada em vários leites artificiais infantis na Europa, o que levou a que fossem retirados do mercado.
Em comunicado, a Comissão Europeia indica que os Estados-membros apoiaram a sua proposta de “estabelecer um critério permanente de segurança alimentar para a presença de ‘cereulida’ em fórmulas para lactantes, fórmulas de transição e alimentos para fins medicinais específicos destinados a lactantes”.
“Com base numa avaliação científica da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, os Estados-membros aprovaram limites máximos rigorosos para a presença desta toxina em produtos desidratados e líquidos”, indica o executivo comunitário, citado pela Lusa.
A Comissão salienta que estes novos requisitos de segurança vão “servir de base aos controlos dos produtos realizados pelos operadores das empresas do setor alimentar e pelas autoridades competentes”.
A cereulid’ é uma toxina que pode causar náuseas, vómitos e dores de estômago súbitas 30 minutos a seis horas após a ingestão e, nos bebés, pode alterar o equilíbrio dos sais no organismo e levar a complicações como a desidratação.
Os possíveis efeitos negativos para a saúde são considerados ligeiros a moderados e dependem da idade, sendo que os recém-nascidos e os bebés com menos de seis meses de idade apresentam um maior risco de desenvolver doenças graves.
Em 28 de janeiro, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) anunciou que produtos de nutrição infantil estavam a ser recolhidos, de forma preventiva, em diversos países devido à deteção de uma toxina produzida pela bactéria ‘Bacillus cereus’, a ‘cereulida’.
Na altura, sete países – Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Luxemburgo, Espanha e Reino Unido – referiram estar a investigar a origem dos sintomas gastrointestinais em bebés após o consumo dos leites infantis.
Em Portugal, em fevereiro, a Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou que não se registaram casos de intoxicação associada ao consumo de leite artificial infantil, adiantando que estavam a ser retirados do mercado lotes contaminados pela própria iniciativa de duas empresas.




