Em 2025, mais de 70% dos portugueses recorreram ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) para alguma ação de prevenção. É um dos dados que constam no Índice de Saúde Sustentável 2025/26, apresentado esta quarta-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
A prevenção foi apontada pelo coordenador do estudo como uma “das chaves para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Nacional de Saúde”. Pedro Simões Coelho, professor Catedrático da Nova IMS, sublinha que “com a longevidade e com o nível de exigência que temos dos cidadãos, será impossível ter sustentabilidade financeira se não apostarmos na prevenção”.
O índice que avalia anualmente a sustentabilidade do SNS passou a incluir, em 2025, uma nova componente referente à capacidade preventiva, que se situa nos 64.7 pontos. Os dados relativos ao ano passado indicam que, em matéria de prevenção, os portugueses realizaram sobretudo análises (67,8%), consultas de rotina no SNS (61,7%) e exames de diagnóstico (50,6%).
Mais de metade dos utentes avaliam de forma positiva ou muito positiva a modernização tecnológica dos equipamentos usados no Serviço Nacional de Saúde, mas os dados revelam reservas quanto se fala de inovação terapêutica. Apenas 34% acreditam que os doentes em Portugal têm acesso atempado a novos medicamentos inovadores através do SNS e só 30% consideram que o SNS é rápido a incorporar novos tratamentos e tecnologias de saúde, em comparação com outros países da União Europeia.
Sustentabilidade não é só eficiência
Na sessão de abertura da conferência, a ministra da Saúde argumentou que “a perceção da realidade por parte dos cidadãos é significativamente diferente da que tem a equipa de saúde”. Ana Paula Martins preferiu colocar a tónica nas terapêuticas e na importância da prevenção.
“Se falamos de sustentabilidade não falamos só de eficiência, falamos acima de tudo de evitar a doença evitável e de melhorar a qualidade de vida das gerações de hoje e de amanhã”.
Numa referência à área do medicamento e à inovação, a governante destacou a evolução na introdução de novas moléculas, em 2024 e 2025, os dois anos com o maior número de aprovações (163).
No discurso de encerramento, o Presidente da República afirmou que a sustentabilidade do SNS depende de uma resposta conjunta que “articule recursos humanos e financeiros, inovação e disponibilidade real para a mudança”. António José Seguro sublinhou tratar-se de um dever coletivo garantir a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, “uma das maiores conquistas da democracia”.




