A injeção Amivantamab, desenvolvida pela Johnson & Johnson, que conseguiu destruir o cancro da cabeça e do pescoço em vários países, vai ser testada em Portugal. Vão participar no ensaio clínico cinco hospitais – Portimão, Gaia, Espinho, o IPO do Porto e a CUF Descobertas -, permitindo que 15 a 17 portugueses tenham acesso ao tratamento.
Até ao momento, o tratamento mostrou eficácia em mais de um terço dos 102 doentes, eliminando completamente 15 tumores e reduzindo 28.
O oncologista Diogo Alpuim Costa, à SIC Notícias, explicou que se trata de um tratamento inovador e que se verificou que 85% deste tipo de cancro se expressa através de duas proteínas: EGFR e MET. Este medicamento atua nessas proteínas, contribuindo de forma seletiva para a morte celular.
O tratamento destina-se apenas a cancros da cabeça e do pescoço, incluindo da cavidade oral, da faringe e da laringe, em casos em que o tratamento local, como cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, não surte efeito nos pacientes. O fármaco pode também ser administrado em pessoas que desenvolveram metástases noutro local do corpo, mantendo a origem no cancro da cabeça e do pescoço.
Diogo Alpuim Costa indicou que o tratamento se destina a doentes que tiveram recidiva da doença ou que, no momento do diagnóstico do cancro da cabeça e do pescoço, já se encontravam numa fase irressecável (não pode ser removida cirurgicamente) ou apresentavam metástases. É ainda necessário que os tumores expressem a proteína PD-L1 e que outros problemas de saúde estejam controlados.
O oncologista revelou ainda que a injeção de Amivantamab já está a ser testada em casos de cancro do pulmão, incluindo em Portugal, e que os resultados têm sido bastante significativos a nível clínico.




