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Ordem dos Médicos considera preocupantes dados do estudo da DECO

 


22 de março de 2017

O bastonário da Ordem dos Médicos considera preocupantes os dados do estudo da DECO que indicam que um em cada cinco médicos recebem pedidos de baixas médicas desnecessárias e 8% confessam que acabam por ceder aos doentes.

«São dados preocupantes (…). Essa pressão sempre existiu e provavelmente é maior nos dias que correm dadas as circunstâncias em que vivemos, com dificuldade económica e financeira, muita pressão no trabalho, em todos os lados tentam fazer mais com o mesmo e isso também acontece na medicina», disse à agência “Lusa” Miguel Guimarães.

O bastonário sublinha que considera preocupante não só a pressão para as baixas, mas também para os meios complementares de diagnóstico e a prescrição de medicação.

De acordo com o estudo da Defesa do Consumidor, quase metade (48%) dos médicos inquiridos assume que, todas as semanas, prescreve exames desnecessários apenas porque o doente insiste.

«É preciso fazer algo na relação médico/doente. É preciso que a relação entre médicos e doentes seja reforçada em termos de tempo e de comunicação porque vai permitir que haja maior empatia entre as pessoas e essa maior empatia pode conseguir resolver alguns problemas apontados neste inquérito», defendeu.

O bastonário da Ordem dos Médicos sublinha que a comunicação e o tempo das consultas são essenciais para que o médico consiga explicar ao doente que ele não precisa de fazer determinado exame ou de tomar aquele medicamento de que julga precisar.

«Se tiver um doente que vai ao meu consultório e acha que tem uma infeção e que precisa de um medicamento e se eu chegar à conclusão que ele não precisa, eu tenho de ter tempo para lhe explicar porque é que ele não precisa e dizer que o antibiótico pode até ser mais prejudicial para ele», exemplificou.

Para Miguel Guimarães, os médicos, neste momento, «estão a ser demasiado pressionados naquilo que é o exercício da medicina, pelo tempo e pelos doentes».

«No SNS [Serviço Nacional de Saúde] a falta de tempo é constante em todos os serviços, desde os cuidados primários até aos hospitais», afirmou.

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