Farmacêuticos mantêm-se entre os profissionais em que os portugueses mais confiam

Quase metade dos portugueses gostaria que as farmácias comunitárias tivessem um papel mais alargado, com autorização para renovarem receitas de medicamentos para doenças crónicas. Os dados do STADA Health Report 2026 refletem a confiança da população nos farmacêuticos.

A falta de profissionais de saúde, associada a longos tempos de espera, é o problema mais referido pelos participantes portugueses no STADA Health Report 2026, apresentado no dia 15 de outubro. O estudo internacional, que analisa as perceções, necessidades e expectativas da população relativamente aos sistemas de saúde, concluiu que esta preocupação concentra 79% das respostas, acima dos 67% registados no conjunto dos países analisados.

Ainda assim, o relatório evidencia a confiança dos portugueses nos profissionais de saúde. Os médicos assumem a maior influência nas decisões de saúde dos portugueses (90%), seguidos pelos farmacêuticos (71%).

Quase metade dos portugueses (48 %) gostaria que as farmácias tivessem autorização para renovar receitas de medicamentos para doenças crónicas e 38 % gostava que o horário fosse 24 horas por dia, sete dias por semana com consulta farmacêutica.

Hélder Mota Filipe, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, sublinha a importância destes dados. “Fico contente que a população espere mais da prestação de cuidados ao nível da farmácia comunitária. É uma tendência que está a acontecer por toda a Europa e que em Portugal não é exceção”, refere.

O bastonário afirma que “a farmácia comunitária, por toda a Europa, está a exercer um conjunto de serviços que resultam do reequilíbrio do próprio sistema de saúde” e reforça que “há situações que podem ser resolvidas na farmácia que vão tirar pressão aos serviços de saúde”.

Hélder Mota Filipe defende, por isso, que é necessário aproveitar “ao máximo o potencial de cada um dos níveis de cuidado e dar a resposta que a população necessita relativamente à farmácia comunitária, contribuindo para um melhor funcionamento do sistema”.

Confiança na Inteligência Artificial

Mais de metade dos inquiridos (51%) admite recorrer a aconselhamento por Inteligência Artificial (IA) em alternativa a uma consulta médica. Trata-se de um aumento face aos 35% registados em 2025. Entre as principais utilizações destacam-se a compreensão de diagnósticos (30%), a prevenção e as recomendações de estilos de vida (22%) e a preparação de consultas médicas (13%).

Farmacêuticos são a segunda principal referência dos portugueses nas decisões de saúde

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos considera que os profissionais de saúde têm de adaptar-se e ajustar a Inteligência Artificial, de forma que “as pessoas a usem e tirem o máximo de proveito com o mínimo de risco”.

Já o bastonário da Ordem dos Médicos destaca um paradoxo revelado pelo relatório. “Por um lado, as pessoas usam mais a inteligência artificial, mas ao mesmo tempo há uma maior confiança nos profissionais de saúde. Consultam o ChatGPT, mas preferem ir ao médico”.

Carlos Cortes sublinha que a grande preocupação dos portugueses é a “falta de profissionais de saúde, de pessoas reais.”

O envelhecimento da população e as doenças crónicas é apontado como um dos grandes desafios identificados em Portugal, assim como o aumento dos problemas de saúde mental, mencionado por 57%.