
As pessoas que obtenham um resultado reativo nos testes rápidos de VIH e hepatites B e C realizados nas farmácias comunitárias, integradas na zona de abrangência da Unidade Local de Saúde de Loures-Odivelas (ULSLOD) passam a beneficiar de um circuito formal de referenciação para os serviços desta unidade de saúde.
O modelo, segundo explicado em comunicado, é formalizado através de um protocolo de referenciação entre as farmácias comunitárias aderentes e a ULSLOD, no âmbito do projeto ‘Aproximando o Rastreio das Comunidades: Alargar o Acesso ao Rastreio do VIH, VHB e VHC através das Farmácias Comunitárias’, integrado no Programa FOCUS.
O objetivo é reduzir as barreiras que podem interromper o percurso entre a realização do teste, o diagnóstico e o tratamento, diminuindo o risco de perda de seguimento. O protocolo estabelece, para esse efeito, fluxos de comunicação direta e responsabilidades entre as farmácias e os serviços de saúde envolvidos.
A continuidade assistencial é particularmente relevante no rastreio do VIH e das hepatites B e C. Apesar dos progressos registados, estas infeções continuam a representar um importante desafio de saúde pública. Portugal mantém valores acima da média europeia no VIH, com uma incidência significativa de diagnóstico tardio, existindo ainda pessoas que desconhecem o seu estado serológico.
A deteção precoce permite iniciar mais cedo o acompanhamento e, quando necessário, o tratamento, contribuindo simultaneamente para melhores resultados em saúde e para reduzir a transmissão das infeções.
As farmácias comunitárias têm um papel particularmente relevante neste percurso pela sua proximidade, capilaridade territorial, facilidade de acesso sem marcação prévia e relação de confiança com a população. Estas características permitem aproximar o rastreio das comunidades e chegar também a pessoas que, por diferentes razões, têm menor contacto com os serviços de saúde ou são habitualmente menos rastreadas.
O Programa FOCUS está a decorrer em farmácias comunitárias aderentes nos municípios da Amadora, Sintra, Odivelas e Loures e destina-se a pessoas com mais de 18 anos. Os testes rápidos de VIH, hepatite B e hepatite C são gratuitos e acompanhados de aconselhamento antes e depois da sua realização. A participação é voluntária e confidencial, podendo o teste ser realizado de forma anónima.
Perante um resultado reativo, o farmacêutico presta o aconselhamento adequado e, mediante o consentimento da pessoa, ativa o circuito de referenciação estabelecido com os serviços de saúde. Um resultado reativo não corresponde, por si só, a um diagnóstico, tornando essencial a realização dos procedimentos de confirmação e o respetivo acompanhamento clínico.
Um modelo com potencial de aplicação nacional
O protocolo estabelecido entre a ULSLOD e a Associação Nacional das Farmácias (ANF) constitui um modelo de referência para a articulação entre as farmácias comunitárias e os serviços do SNS, concebido para ser tendencialmente uniforme e replicável e permitir uma implementação faseada noutros territórios do país.
Esta colaboração permite combinar a proximidade e acessibilidade das farmácias comunitárias com a resposta assistencial do SNS, criando condições para aumentar o diagnóstico precoce, evitar situações de perda de seguimento e promover o acesso atempado aos cuidados de saúde. Uma articulação que pode contribuir para melhorar os resultados em saúde e reforçar a resposta de saúde pública ao VIH e às hepatites virais.
O momento de assinatura do protocolo contou com a presença da presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), Ema Paulino, e do presidente do Conselho de Administração da ULS Loures-Odivelas (ULSLOD), Miguel Lemos. Pela ULSLOD, participaram ainda António Alexandre e Alexandre Tomás, ambos membros do Conselho de Administração; Alda Monteiro, diretora clínica para os cuidados de saúde primários; e Vanessa Silva, enfermeira especialista em Enfermagem Comunitária. Por parte da ANF, estiveram também presentes Ana Tenreiro, da Direção; Nuno Cardoso, diretor-geral; António Teixeira Rodrigues, diretor de Soluções e Evidência em Saúde (DSES); e Sónia Romano, da DSES.




