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Universidade do Porto na frente da investigação médica mundial

08-Abr-2014

Numa altura em que a investigação universitária está no centro de mais um problema que envolve o Ministério da Educação – os cortes de verbas para financiamento dessa função primordial das academias -, a Universidade do Porto continua a distinguir-se em matéria de inovação.

Assim, uma equipa conjunta de investigadores da Faculdade de Medicina (FMUP) e do Instituto de Biologia Celular e Molecular (IBMC), ambos da Universidade do Porto, conseguiu reduzir de forma estável e sustentável o excesso de glicose no sangue (fenómeno designado por hiperglicemia e associado à diabetes) através do uso de células estaminais.

«O estudo foi realizado num modelo animal, em ratos com diabetes de tipo I, aos quais foram administradas, por via endovenosa, um tipo específico de células estaminais (células estaminais estromais), recolhidos da medula óssea de dadores adultos», informou fonte oficial da academia, citada pelo “Diário Económico”.

Os cientistas responsáveis consideram os resultados «promissores», aguardando pelos ensaios em humanos, que estão previstos decorrer num centro médico dinamarquês.

«Estes resultados são o fruto de um ano de trabalho da equipa portuguesa que integra o REDDSTAR (Repair of Diabetic Damage by Stromal Cell Administration)» – um projeto financiado pelo Sétimo Programa Quadro da Comissão Europeia, que tem a duração de três anos e recebeu seis milhões de euros distribuídos por um consórcio multidisciplinar de especialistas na investigação e tratamento de complicações de diabetes.

«Na União Europeia, milhões de pacientes com diabetes usam diariamente fármacos prescritos pelo seu médico para controlar os seus níveis sanguíneos de glicose. O controlo ineficaz dos níveis plasmáticos de glicose conduz a um vasto leque de complicações da diabetes», refere Isaura Tavares, professora da FMUP e coordenadora do REDDSTAR em Portugal.

Atualmente existem poucas opções terapêuticas disponíveis para controlo do início e progressão das complicações da diabetes – que, por isso, «permanecem como um dos principais desafios na gestão da doença para os clínicos de diversas especialidades».

À procura de infeções

Por outro lado, um grupo de investigadores da Faculdade de Engenharia (FEUP), do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), ambos da Universidade do Porto e em parceria com a University of Southern Denmark (SDU), desenvolveram um novo método «que permitirá diagnosticar infeções microbianas diretamente no corpo humano, através de uma técnica não-invasiva», refere a mesma fonte. Esta nova técnica não necessita de recorrer a biópsias ou amostras de sangue, como acontece atualmente.

O trabalho dos investigadores «permitiu desenvolver um diagnóstico em tempo real, capaz de detetar sequências específicas de ácidos nucleicos de microrganismos patogénicos e em condições semelhantes às encontradas no interior do corpo humano».

Na opinião de Nuno Azevedo, investigador da FEUP, este estudo reveste-se da maior importância uma vez que «poderá ter um profundo impacto na forma como os diagnósticos das infeções microbianas serão efetuados no futuro», e com isso revolucionar uma parte importante da medicina.

Recorde-se que a empresa Biomode, uma spin-off portuguesa da área dos diagnósticos, demonstrou já interesse em acompanhar esta linha de investigação, «com vista à possível comercialização de kits de diagnóstico baseados em sondas de LNA».

Em ambas as investigações, a academia do Porto saliente, por um lado, a importância do trabalho realizado, mas também, por outro, a estreita ligação entre a Universidade do Porto e instituições semelhantes espalhadas pelo mundo.

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