A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra lançou um projeto assistencial inovador no diagnóstico precoce do défice cognitivo e da doença de Alzheimer, envolvendo os Cuidados de Saúde Hospitalares e Cuidados de Saúde Primários.
“Um dos aspetos mais inovadores deste projeto assistencial é poder avaliar o impacto e a possibilidade de implementação nos cuidados de saúde primários do marcador sanguíneo periférico”, destacou a diretora para os Cuidados de Saúde Primários, Inês Rosendo, num comunicado a que a Lusa teve acesso.
A ULS recordou que, no âmbito do diagnóstico precoce de Doença de Alzheimer, o Laboratório de Neuroquímica do Serviço de Neurologia da ULS de Coimbra foi pioneiro, a nível nacional, no desenvolvimento e validação de um marcador biológico sanguíneo, colhido através de uma colheita de sangue, que agiliza o processo de diagnóstico já em uso nas consultas de neurologia.
“A deteção precoce da demência, e especialmente da doença de Alzheimer, é de extrema importância por permitir uma intervenção mais precoce e uma abordagem clínica personalizada, com potencial para melhorar a sua evolução e o prognóstico dos doentes”, frisou Natália António, diretora clínica para os Cuidados de Saúde Hospitalares.
A responsável mostrou-se convicta de que a utilização de um marcador biológico “preciso e acessível, aplicado de forma ética e cientificamente controlada, permitirá simplificar um processo de diagnóstico até agora complexo e moroso, e contribuirá para promover uma seleção mais rigorosa dos doentes com potencial doença de Alzheimer a referenciar com celeridade para cuidados terciários”.
“Este programa integrado entre os Cuidados de Saúde Primários e as consultas de especialidade tem a potencialidade de sensibilizar e alavancar a formação dos grupos profissionais envolvidos e, como é desígnio da ULS de Coimbra, promover uma articulação efetiva entre os dois níveis de cuidados”, salientou.
Segundo Isabel Santana, diretora do Serviço de Neurologia, “este programa tem como objetivo essencial e prioritário contribuir para o diagnóstico precoce e biológico do défice cognitivo e da doença de Alzheimer, através de uma abordagem assistencial integrada, proporcionando ganhos assistenciais para os utentes”.
A especialista frisou que o programa “permitirá também sensibilizar os profissionais dos Cuidados de Saúde Primários para a importância das queixas de memória e o seu envolvimento ativo num processo de diagnóstico mais célere e em articulação com as consultas mais diferenciadas”.
A possibilidade de uma deteção mais precoce e a promoção da equidade no acesso à saúde poderão contribuir para melhorar o prognóstico dos utentes e assim reduzir a carga associada ao declínio cognitivo, realçou a ULS de Coimbra.
Esta abordagem terá um impacto na organização futura dos cuidados de saúde nesta área assistencial da ULS de Coimbra, “cujos resultados poderão ser replicados a nível nacional, gerando novos dados científicos”.
O projeto está alinhado com as prioridades do Plano Nacional de Saúde 2030, Estratégia da Saúde na Área das Demências e no Plano Nacional da Saúde para as Demências e com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, que identificam as alterações cognitivas e a demência como uma prioridade global.
A doença de Alzheimer e outras demências constituem a sétima causa de morte a nível global e é a patologia líder de anos vividos com elevada incapacidade.




