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Sida: Tratamento antirretroviral deve ser implementado como prevenção

01 de Junho de 2015

O diretor adjunto do Centro de Excelência em VIH/sida da Colúmbia Britânica, Rolando Barrios, alertou em Coimbra para a necessidade de se implementar o tratamento antirretroviral como prevenção.

E, se isso não acontecer, alertou, os governos terão de «pagar uma dívida no futuro».

O TAsP (“Treatment as prevention” – Tratamento como prevenção), que é o uso do tratamento antirretroviral nos indivíduos logo que são diagnosticados com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), é «fundamental» para se diminuir o número de novas infeções, podendo com este mecanismo «eliminar-se virtualmente o VIH», disse à agência “Lusa” o investigador guatemalteco a trabalhar no Canadá.

«Os Governos olham a curto prazo e têm de olhar a longo prazo porque ou pagam hoje a conta ou vão pagar uma dívida no futuro», alertou o investigador e médico, que falava à “Lusa” à margem do 6.º Congresso das Pandemias, que começou na quinta-feira e terminou no sábado, no Hotel Vila Galé, em Coimbra.

O conceito do TAsP, nascido num grupo do Centro de Excelência liderado pelo investigador Julio Montaner, foi aplicado inicialmente na província canadiana da Colúmbia Britânica, em que as pessoas diagnosticadas com o VIH iniciaram de imediato o tratamento antirretroviral, ao contrário do que acontecia antes, em que só se iniciava o tratamento quando «os níveis de defesa estavam muito baixos», aclarou.

«De 700 novas infeções em 1995, a província passou a ter apenas 250 novas infeções por ano», sublinhou Rolando Barrios, referindo que o TAsP controla o vírus, previne a evolução do HIV para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Sida) e «o risco de transmissão reduz-se em 95%».

Apesar de um investimento «elevado» no tratamento ao longo da vida do paciente, o TAsP levou a que «Governo de Colúmbia poupasse agora quatro milhões de dólares por ano», acrescentou, realçando que «as outras províncias» canadianas, que não aderiram ao TAsP, «não estão bem e gastam muito dinheiro com os novos infetados».

Para Rolando Barrios, o grande desafio para o futuro será também o trabalho em torno dos jovens, que é onde se «assiste, globalmente, à maioria das transmissões», salientou.

«Estes jovens não viveram a experiência inicial, não perderam amigos com o VIH e sentem-se invencíveis», constatou, apontando para a necessidade de se pensar em abordagens junto desta faixa etária.

Por outro lado, o diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/sida, António Diniz, afirmou que a possibilidade de tratamento como prevenção está prevista nas recomendações elaboradas pelo programa desde 2012, considerando que Portugal deve «caminhar» no sentido de se fazer «tratamento [antirretroviral] a todas as pessoas [diagnosticadas com o vírus]».

Contudo, é necessário negociar com a Indústria Farmacêutica para não se «onerar excessivamente o Serviço Nacional de Saúde», apontou.

De acordo com António Diniz, o grande objetivo do programa passa no momento pelo «diagnóstico precoce» e pela «disseminação dos meios de prevenção».

Em Portugal, dados apontam para a existência de 60 mil infetados com o VIH.

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