Mais de 10 mil cirurgias adiadas por greve dos enfermeiros segundo associação sindical 0 230

A greve dos enfermeiros em blocos operatórios, que terminou na segunda-feira, implicou o adiamento de 10 mil cirurgias, disse hoje à agência “Lusa” a presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), Lúcia Leite.

«Os números que temos são de referência, pois só os hospitais têm números concretos», comentou a dirigente, avançando ainda que a média de adiamentos foi de 500 cirurgias por dia útil.

Lúcia Leite indicou ainda à agência “Lusa” que a expectativa dos sindicatos é que na próxima reunião de negociações, quinta-feira, o Governo «esteja disponível para chegar a um entendimento».

A greve foi iniciada a 22 de novembro e abrangeu cinco centros hospitalares: Centro Hospitalar S. João (Porto), Centro Hospitalar e Universitário do Porto, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Norte e Centro Hospitalar de Setúbal.

Entre as reclamações dos enfermeiros estão a criação de uma categoria de especialista na carreira, a antecipação da idade da reforma e melhoria de condições no SNS.

A paralisação durou mais de um mês e sacudiu todo o setor da saúde pelos contornos inéditos que teve: a duração longa e também a criação de um movimento de enfermeiros para a recolha de fundos através da Internet para financiar os grevistas.

«Teve impacto financeiro nas instituições de alguns milhões de euros, e a nossa expectativa é que o Governo mude de opinião», disse Lúcia Leite. Comentou ainda que os enfermeiros «conseguiram demonstrar a sua posição, prejudicando o mínimo possível de doentes».

«Claro que os enfermeiros não podem fazer greve sem prejudicar os doentes, mas são sobretudo pessoas que esperam por cirurgias há um ou mais anos», disse sobre os adiamentos que motivaram controvérsia entre vários agentes da área da saúde.

Acrescentou ainda à agência “Lusa” que a proposta que o Governo tem apresentado «é inegociável, e não resolve os problemas dos enfermeiros».

Os administradores hospitalares denunciaram que haveria doentes em situações delicadas com cirurgias adiadas, considerando o cenário «extremamente grave».

A OM também alertou para doentes prioritários que não estariam a ser operados.

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