Greve dos Farmacêuticos do SNS 351

A paralisação dos Farmacêuticos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) convocada pelo Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF) e agora estrategicamente adiada devido ao chumbo do Orçamento de Estado e possível dissolução da Assembleia da República, levou-me a refletir naquilo que ao longo dos últimos anos aconteceu e de que forma impactou os Farmacêuticos, a nível pessoal e profissional.

No comunicado do SNF que elencava as diversas matérias que necessitam de ‘‘resolução urgente’’ e que motivam a convocatória para a greve desta classe que há mais de 20 anos que não a concretizava, pode ler-se que ‘‘tendo-se passado 4 anos sobre a publicação da carreira e ano e meio sobre a regulamentação da Residência Farmacêutica, a última previsão de abertura da primeira residência seja 2023.’’

Ora, é seguro dizer que não existe qualquer tipo de explicação lógica para um atraso de 4 anos que, em mais nenhuma carreira dos profissionais de saúde, se verifica. Pergunto-me como estarão os profissionais que, diariamente, trabalham de corpo e alma para prestar cuidados de saúde de acordo com as necessidades do doente. E os farmacêuticos jovens e futuros profissionais, como olharão eles para atitudes como estas por parte do Ministério da Saúde (MS)? O MS pretende sustentar a ideia de que os Farmacêuticos serão sempre vistos como os profissionais, parentes pobres do SNS? Afinal, são estes os tipos de incentivos dados à juventude para se fixarem e desenvolverem o seu futuro num país que fecha os olhos às necessidades de uma classe profissional que além de sempre presente, acrescenta valor à saúde dos portugueses e tem mostrado uma tolerância incomparável para com as ações da tutela?

Felizmente, considero que tenho uma visão muito positiva sobre a realidade do setor da saúde em Portugal e orgulho-me de dizer que um dia pertencerei à classe Farmacêutica. Acredito que os Farmacêuticos defenderão sempre e de forma convicta, as suas lutas para o desenhar de um futuro mais risonho para os futuros Farmacêuticos e para a Saúde em Portugal.

Carolina Simão
Presidente da Direção APEF – Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia

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