
O executivo norte-americano retirou oficialmente a recomendação da vacina tríplice viral VASPR (sarampo, papeira e rubéola), numa ordem presidencial de Donald Trump que exige uma reformulação das recomendações de vacinação infantil.
A ordem recomenda a administração da VASPR em três doses diferentes, administradas em consultas separadas, e recomenda ao Departamento de Saúde que melhore a investigação sobre vacinas, segundo um documento da Casa Branca divulgado pela imprensa norte-americana.
Atualmente, não existem nos Estados Unidos vacinas separadas contra o sarampo, a papeira e a rubéola para crianças, apenas a VASPR.
A vacinação das crianças em idade escolar é uma competência dos estados norte-americanos, não do governo federal, mas muitos dos governos estaduais republicanos deverão seguir as recomendações da Casa Branca.
A ordem presidencial de Trump aconselha aos estados a atualização das suas leis para refletir as recomendações do governo e surge numa altura em que o ano letivo está a começar e o país enfrenta um surto de sarampo que, segundo os especialistas, pode resultar na perda do estatuto de livre desta doença.
Especialistas em saúde pública referidos pela agência AP manifestaram preocupação com o facto de o espaçamento entre vacinas, como sugerido por Trump, poder aumentar o risco de as crianças contraírem entre consultas doenças contra as quais há imunização.
As vacinas infantis passam por estudos rigorosos e a monitorização da sua segurança é constantemente vigiada, mas têm sido alvo de teorias da conspiração que proliferam sobretudo em grupos conotados com setores radicais do Partido Republicano.
Em dezembro, Trump, segundo a Lusa, ordenou ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos que fizesse um levantamento das recomendações de vacinação noutros países e que considerasse rever as diretrizes norte-americanas em conformidade.
O departamento, liderado pelo secretário da Saúde Robert F. Kennedy Jr. – um declarado cético da vacinação – respondeu reduzindo o número de vacinas que recomenda para cada criança, mas esta medida foi posteriormente bloqueada judicialmente.
Mais recentemente, e com as eleições intercalares de novembro a aproximarem-se, Trump tem destacado temas menos polémicos na área da saúde, como a alimentação saudável e os esforços para reduzir os preços dos medicamentos.
As sondagens mostram que a maioria dos norte-americanos ainda apoia a obrigatoriedade da vacinação escolar, embora os republicanos sejam menos propensos do que os democratas a defendê-la.
O executivo Trump tem também associado o autismo às vacinas, outra teoria da conspiração promovida por grupos radicais, apesar de o consenso científico e décadas de estudos não identificarem qualquer ligação.




