Convenção Nacional de Saúde: “o medicamento é um investimento estratégico”

O presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) afirmou que este é um dos setores mais resilientes, competitivos e estratégicos da economia portuguesa. Na conferência ‘Inovação em Saúde, Despesa ou Investimento?’, que decorreu esta quarta-feira, dia 1, no Centro Cultural de Belém (Lisboa), João Almeida Lopes sublinhou que “o medicamento é um investimento estratégico que gera retorno em Saúde, mas também crescimento económico, emprego qualificado e projeção internacional”.

Para o presidente da APIFARMA o debate sobre a Saúde não pode estar desligado de uma visão de desenvolvimento económico, exige “políticas públicas coerentes e previsíveis, e um Pacto Estratégico para a Saúde que permita gerar consensos e alinhar prioridades”.

A iniciativa da Presidência da República que visa promover uma reflexão alargada sobre o futuro da Saúde em Portugal, foi um dos temas que marcou o debate. Na abertura da conferência, Eurico Castro Alves, presidente da Convenção Nacional da Saúde, afirmou que numa altura em que o sistema de Saúde enfrenta diversos desafios, o Pacto Estratégico para a Saúde pode “representar a mudança no Serviço Nacional de Saúde”.

Com uma visão mais crítica, o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Hélder Mota Filipe, defendeu que o Pacto não pode interferir com a obrigação do Governo de transformar a Saúde em Portugal. “O Pacto tem margem terapêutica estreita, com potencial terapêutico, mas muito próximo de um potencial de efeito adverso”, alertou, ressalvando, no entanto, que a Ordem dos Farmacêuticos manifesta toda a disponibilidade para dar o seu contributo para a discussão.

Numa conferência em que se debateu se a inovação em Saúde é uma despesa ou investimento, a ministra da Saúde declarou que as inovações mais relevantes são as que colocam os cidadãos no centro e melhoram os resultados em Saúde. No encerramento dos trabalhos, Ana Paula Martins disse que a inteligência artificial não é encarada como a solução para todos os desafios na área da Saúde, mas é uma grande ajuda, e lembrou que Portugal foi o primeiro país europeu a aderir a uma rede internacional de regulação de boas práticas nesta área.

A governante reconheceu que os medicamentos inovadores representam novos desafios em matéria de avaliação, financiamento e sustentabilidade, e garantiu que o objetivo do Governo não é atrasar o acesso à inovação.

E se uma das palavras mais ouvidas nesta conferência foi inovação, o bastonário da Ordem dos Médicos e chairman da Convenção Nacional da Saúde, fez questão de referir que “inovação não é tudo o que é novo”. Para Carlos Cortes o que transforma é a utilidade. “Significa diagnosticar mais cedo, tratar melhor, reduzir o sofrimento”, explicou. O bastonário deixou duas questões: “quanto custa não inovar? Qual é o impacto desta perda de oportunidade?”.