Cerca de 72% dos jovens com 18 anos admite uso de álcool nos últimos 12 meses

Cerca de 72% dos mais de 88,5 mil jovens de 18 anos inquiridos no Dia da Defesa Nacional admitiram ter consumido álcool nos últimos 12 meses.

De acordo com um estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) ontem divulgado, dos 91.754 presentes no Dia da Defesa Nacional em 2025, 88.682 participaram num inquérito.

72% dos inqueridos assumiram ter consumido álcool nos 12 meses anteriores e 75% uma qualquer bebida ao longo das suas vidas.

O mesmo inquérito revelou que 41% destes jovens assumiram consumo de tabaco durante a vida (36% nos últimos 12 meses), 23% de substâncias ilícitas (19& nos últimos 12 meses), designadamente canábis, num total de 21% durante a vida e 17% nos últimos 12 meses.

Por sua vez, uma menor percentagem de jovens – relativamente aos inquéritos de 2022/2023 – apontou a ingestão de tranquilizantes ou sedativos sem receita médica em 6% dos casos, sendo 4% nos últimos 12 meses.

Permanece reduzida a percentagem de jovens que adquire estas substâncias pela internet, sendo a canábis aquela que é mais mencionada nesta forma de aquisição.

No total de inquiridos, 5% declararam esta via (19% dos consumidores recentes de canábis).

De acordo com o estudo, a maioria dos consumidores de cada uma das substâncias declarou que, nos 12 meses anteriores ao inquérito, consumiu num número inferior a 10 ocasiões.

Constituem exceção o consumo de bebidas alcoólicas, o consumo de tabaco e o consumo de heroína ou outros opiáceos.

Indicaram ainda ter consumido álcool de forma binge (repetida) nos 12 meses anteriores (45%), sendo que 56% se embriagaram ligeiramente e 32% severamente.

A definição binge utilizada pelos técnicos é o consumo de cinco bebidas alcoólicas seguidas.

Ainda no que diz respeito a consumos de maior risco, verifica-se que 20% dos jovens associam o consumo de mais do que uma substância psicoativa (incluindo as lícitas) na mesma ocasião.

O principal problema mencionado quanto ao álcool são as situações de mal-estar emocional, sendo que o mesmo se verifica no caso das drogas ilícitas, embora com valores muito semelhantes ao envolvimento em relações sexuais desprotegidas.

No conjunto dos indicadores analisados, os diferentes consumos tendem a ser mais mencionados por rapazes do que por raparigas, com algumas exceções.

No campo das substâncias legais, são as raparigas que mais declaram o consumo de tranquilizantes/sedativos sem receita médica, e, desde 2022, o consumo de bebidas alcoólicas, estando, por sua vez, a par dos rapazes quanto ao consumo de tabaco (diferença de apenas de 1%).

O consumo de cada uma das substâncias ilegais é mais declarado por rapazes do que por raparigas, o mesmo acontecendo com as frequências de consumo mais intensas e policonsumos.

Apesar desta conjuntura, as raparigas apresentam a mesma prevalência de problemas relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas e, embora declarem menos os problemas relacionados com substâncias ilícitas, a diferença percentual (6 pontos percetuais) é inferior às discrepâncias identificadas quanto aos padrões de consumo.

Segundo o estudo, “isto significa que as raparigas, por uma série de condições pessoais e sociais, poderão ser mais suscetíveis ao desenvolvimento de problemas, mas também que poderão ser mais propensas a problemas devido ao consumo de terceiros”.

O ICAD destaca como evoluções preocupantes o aumento do consumo mais frequente de outras substâncias ilícitas sem ser a canábis, bem como de embriaguez severa e consumo “binge” de bebidas alcoólicas, embora na população de 18 anos estas prevalências se mantenham estáveis.