Precisamos de crianças? 613

Algumas abordagens psicológicas apresentam o ser humano como o somatório de várias entidades. Por exemplo, a escola psicanalítica olha para o ser humano como um conjunto de três entidades distintas, que correspondem a um adulto (a parte racional), um pai (o repositório dos nossos valores) e uma criança – guiada pelas emoções.

Convém relembrar que as emoções nunca foram a parte mais bem vista de nós. Na análise da inteligência, por exemplo, a primazia foi quase sempre dada à razão e a criança é normalmente vista como a representação da imaturidade e algo que deve ser abandonado com o passar do tempo. Veja-se que a afirmação “pareces uma criança” raramente é dita como um elogio.

No entanto, a negação desta entidade mais infantil é, muitas vezes, a repressão da inovação e da criatividade. E se há algo que vamos precisar nestes tempos desafiantes é de crianças: pequenas e grandes. Porque o mais importante perante um cenário que não se conhece é a capacidade de fazer perguntas, de sonhar e de acreditar que se pode ir “para o Infinito e mais além”.

João Barros
Professor Convidado na Escola Superior de Comunicação Social e Investigador no Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

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