
Na continuação do segundo episódio da terceira temporada do videocast Conferência de Líderes, intitulado ‘Shared Services Centers: Uma oportunidade?’, depois de analisarem se Portugal está preparado para captar mais centros de serviços partilhados, os líderes centraram o debate nos desafios (nomeadamente culturais e estruturais) que continuam a limitar a afirmação do país como destino de investimento, inovação e excelência para a Indústria Farmacêutica.
No terceiro episódio, intitulado ‘Shared Services Centers: Mãos à Obra!’, Miguel Rovisco de Andrade, da A. Menarini Portugal, Nelson Ferreira Pires, diretor-geral da Recordati, e Daniel Guedelha, Founder & CEO da GenH, voltaram a reunir-se sob moderação de Paulo Silva, da MARKETING FARMACÊUTICO.
Um dos temas que dominou a conversa foi a dificuldade de Portugal em transformar conhecimento científico em valor económico. Daniel Guedelha destacou a forte ligação à academia e a qualidade do ensino superior nacional, mas apontou a existência de uma “aversão ao sucesso e ao dinheiro” que continua a marcar a cultura portuguesa.
Também Nelson Ferreira Pires considerou que existe uma resistência ao capitalismo e à criação de riqueza. “Queremos acabar com os ricos em vez de acabar com os pobres”, afirmou. Apesar de sublinhar que Portugal conta com universidades de referência e uma elevada capacidade de produção de conhecimento científico, alertou para as dificuldades na aplicação prática desse conhecimento.
Miguel Rovisco de Andrade concordou com esta análise, referindo que persiste uma certa “vergonha” associada ao sucesso financeiro. “Fiz isto e agora vou ganhar dinheiro”, exemplificou, defendendo que esta barreira cultural tem de ser ultrapassada para que o país consiga afirmar-se como um polo de inovação.
Para os participantes, a ausência de uma estratégia concertada para promover Portugal junto de investidores e empreendedores internacionais continua a ser outro dos entraves. Nelson Ferreira Pires defendeu a necessidade de um “desígnio” nacional que permita mostrar as vantagens competitivas do país. “Quando conhecem Portugal ficam encantados”, referiu.
Na mesma linha, Daniel Guedelha salientou que existe uma relutância cultural perante o sucesso empresarial. Ainda assim, lembrou que a Indústria Farmacêutica já se encontra entre os principais setores exportadores nacionais e defendeu uma maior articulação entre os diferentes atores do ecossistema para potenciar oportunidades. “Há necessidade de uma certa orquestração e não tem de ser o Governo. Temos de ser nós e depois trazer o Governo connosco”, afirmou.
O debate abordou igualmente as áreas em que Portugal poderá diferenciar-se na atração de centros de excelência. Miguel Rovisco de Andrade considerou que o país reúne condições para se destacar em áreas como business intelligence, marketing ou farmacovigilância, graças à qualidade dos seus profissionais e ao rigor técnico que caracteriza os recursos humanos portugueses.
“Para trazer um centro de excelência para Portugal, tem de se mostrar que Portugal tem capacidade para ter esse centro de excelência. Tem bases para progredir”, defendeu.
Já Nelson Ferreira Pires apontou os ensaios clínicos como uma oportunidade relevante, mas alertou para a necessidade de rever os atuais modelos de remuneração da investigação. “Enquanto tivermos um modelo que não remunere o investigador, não temos hipótese”, afirmou. Em resposta, Miguel Rovisco de Andrade defendeu a criação de uma verdadeira carreira de investigação, capaz de valorizar e reter talento científico.
No final da conversa, Nelson Ferreira Pires destacou ainda a capacidade industrial do país, considerando que Portugal é “ótimo a fabricar”, embora continue condicionado pela reduzida escala das suas operações.
Descubra o que os líderes têm mais a dizer sobre este assunto:
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A Conferência de Líderes é uma série de episódios do MF Talks – O Podcast, uma iniciativa da Revista MARKETING FARMACÊUTICO, com o patrocínio da PHARMAPLANET.




