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Médico espanhol coloca Portugal na vanguarda da Europa em terapias complementares

 


05 de março de 2018

O médico e especialista espanhol em medicinais naturais Cristobal Fraga colocou Portugal à frente de muitos países da União Europeia no que se refere à aplicação de terapias complementares.

Em declarações à agência “Lusa” à margem das jornadas de divulgação “Terapias integrativas e complementares: um desafio a concluir”, que decorreram até sábado na Universidade Católica do Porto, Cristobal Fraga elogiou a recente decisão do Governo de criar a licenciatura de Medicina Tradicional Chinesa nas faculdades nacionais.

Citando o exemplo espanhol, revelou que há cerca de 20 anos «tentou-se regulamentar, mas não tão bem como em Portugal, o lecionar de medicinas naturais, a chinesa, a homeopatia e a naturopatia», num processo que regrediu depois de nos «últimos quatro ou cinco anos começar a haver uma enorme controvérsia a partir de médicos que questionaram a eficácia das terapias complementares, incluindo a medicina chinesa».

«Nisto, Portugal está à frente de muitos países da União Europeia porque há anos implementou a prática de certas técnicas, coisa que no centro da Europa há muito tempo que ocorre», elogiou o investigador espanhol.

Considerando que Portugal tem uma «oportunidade quase única de se colocar à frente de muitos países europeus» depois de «homologar a docência da medicina chinesa», o médico descreveu-o como «um feito histórico».

Fazendo a apologia de que o futuro passa por «aumentar e aplicar estas terapias», Cristobal Fraga elegeu como problema o facto de serem terapias ainda pouco conhecidas, o que faz com «ainda haja quem pense que se trata de bruxaria».

«Argumentar que não está comprovado cientificamente é falso», vincou, lembrando que é médico e que trabalhou na «faculdade de medicina como investigador» e que embora os «milhares de estudos» permaneçam desconhecidos da maioria das pessoas, «quase tudo está publicado sobre homeopatia, medicina chinesa e naturopatia».

Aludindo ao «investimento de milhões de dólares nesta investigação» pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América, Cristobal Fraga perguntou «como é possível um estudante de medicina não saber nada de nutrição ou de fitoterapia?» Ou como pode um médico recomendar a acupuntura, «mas não saber nada dela?».

«Acredito que no espaço de uma década este problema estará resolvido», manifestou o médico galego para quem conversas com colegas do centro da Europa e dos Estados Unidos, demonstraram que o que está a «acontecer em Portugal passou-se lá há 20 anos».

«Ou seja, Portugal, Espanha e o sul da Europa somam 15 anos de atraso», acrescentou.

Cristobal Fraga foi durante 25 anos coordenador do mestrado de Medicinas Naturais na Universidade de Compostela, na Galiza.

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