O que começou como uma iniciativa local numa farmácia em Braga ganhou escala e transformou-se num programa de alcance nacional. O projeto de rastreio da hipertensão arterial desenvolvido pela Farmácia Narcisa C. Dias — entretanto distinguido com um Prémio Almofariz — está agora na base do programa nacional de rastreio promovido pelas farmácias do grupo FirstPharma, que pretende reforçar a deteção precoce e a prevenção de uma das doenças mais silenciosas e prevalentes em Portugal.
No mês em que se celebra o Dia Mundial da Hipertensão Arterial (17 de maio), está a decorrer nas farmácias do grupo FirstPharma o Programa Nacional de Rastreio da Hipertensão Arterial.
“Após este período, os dados recolhidos serão analisados e posteriormente apresentados em fóruns apropriados, com o objetivo de permitir o seu estudo e discussão”, revela, ao NETFARMA, Alberto Azevedo fundador e administrador do grupo, que revela ainda que “se trata de um projeto com ambição de longo prazo. O objetivo é garantir a sua continuidade anual, envolvendo cada vez mais farmácias. Existe uma forte motivação para contribuir para a deteção precoce de todos os doentes com hipertensão em Portugal”.
A origem
A decisão de avançar com este programa prendeu-se “com os dados existentes que indicam um elevado número de portugueses com hipertensão não diagnosticada. Tendo em conta a proximidade das farmácias à população, consideramos que estas são o local ideal para promover iniciativas que contribuam para a melhoria da saúde pública”, continua o responsável, salvaguardando que “importa ainda referir que a ligação de longa data entre a Farmácia Narcisa C. Dias e a FirstPharma permitiu replicar e expandir um projeto que já tinha sido implementado com grande sucesso por esta farmácia”.
Iniciativa reconhecida e premiada
Tudo começou, então, na Farmácia Narcisa C. Dias, em Braga, que mobililizou várias outras farmácias do concelho para um rastreio comunitário da pressão arterial, com o objetivo de detetar precocemente casos de hipertensão, reforçar a literacia em saúde cardiovascular e promover a adesão a hábitos de vida saudáveis.
A iniciativa acabaria mesmo por vencer o Prémio Almofariz Intervenção na Comunidade 2025 By Laboratórios Azevedos no ano passado.

2025 não foi, contudo, o primeiro ano em que Narcisa Dias concorreu aos Prémios Almofariz com o ‘seu’ rastreio comunitário da pressão arterial. Já tinha sido finalista do Prémio Almofariz Intervenção na Comunidade em 2023 e 2024. Por isso, a farmacêutica destaca, “mais do que o prémio em si, o percurso. No primeiro ano, a nomeação já foi motivo de enorme orgulho. Isso motivou-nos a ampliar o projeto e a envolver mais entidades e farmácias. No ano seguinte, já contávamos com 21 farmácias participantes e, posteriormente, com 27 farmácias unidas em torno de um objetivo comum”.
Em suma, “foi muito inspirador perceber que as farmácias conseguem mobilizar-se coletivamente para gerar impacto real na comunidade, independentemente da sua identidade individual. Esse espírito de colaboração ficou particularmente evidente nas ações realizadas em espaço público. Para a equipa, esta experiência reforçou o sentimento de orgulho profissional, confiança e motivação para continuar a desenvolver novos projetos com impacto na saúde da população”.
Papel fundamental nas comunidades
Também para a FirstPharma, este reconhecimento é motivo de grande orgulho. “Foi com particular emoção que assistimos à atribuição do Prémio Almofariz à Farmácia Narcisa C. Dias na gala do ano passado”, refere Alberto Azevedo.
O administrador acredita que “a intervenção das farmácias junto da comunidade deve ser cada vez mais valorizada, tanto pelas próprias como pelas entidades competentes, sobretudo num contexto em que os serviços públicos enfrentam diversos desafios”.
Neste sentido, “as farmácias desempenham um papel fundamental e diferenciador nas comunidades. Em muitos casos, são o único ponto de acesso a cuidados de saúde, especialmente em zonas onde os serviços públicos ou privados são escassos ou distantes. Quem conhece a realidade do território nacional reconhece a importância vital destas estruturas”, remata Alberto Azevedo.
Rastreios em farmácia
E quando em questão estão os rastreios, as vantagens de os realizar nas farmácias “são várias. Num rastreio queremos sempre alcançar um elevado número de pessoas elegíveis e as farmácias, pelas suas características, favorecem esse propósito melhor que qualquer outro ponto do sistema de saúde. Primeiro, elas encontram-se particularmente dispersas pelo território, permitindo o acesso a toda a população. Depois, o seu horário de funcionamento é também mais alargado que o da maioria de outros prestadores. Além disso, as pessoas são em geral atendidas nas farmácias sem necessidade de agendamento prévio”, explica Narcisa Dias.
Por outro lado, ainda de acordo com a diretora técnica, “no nosso país, meio milhão de pessoas visitam as farmácias diariamente. Muitas não chegam por doença. Este facto permite aos farmacêuticos o encontro frequente com pessoas elegíveis para o rastreio de doenças silenciosas, como é o caso da hipertensão”.
Por fim, e não menos importante, Narcisa Dias destaca “a confiança e a satisfação da população em relação às farmácias, que permitem antecipar aí, maior adesão aos rastreios”.
“Oportunidades importantes”
Há margem, na opinião de Narcisa Dias, para alargar este tipo de iniciativas a outras áreas. “Além da hipertensão arterial, considero que existem oportunidades importantes em áreas como o risco de diabetes tipo 2, obesidade e saúde metabólica, através da avaliação de parâmetros como perímetro abdominal, composição corporal e aplicação de questionários validados. Estamos, inclusivamente, a testar um modelo nessa área, com resultados promissores”.

Contudo, como alerta Narcisa Dias, “um rastreio só faz sentido se existir capacidade de resposta e encaminhamento após a identificação do risco. Por isso, estas iniciativas exigem articulação entre diferentes profissionais e estruturas de saúde, para que o benefício para a população seja efetivo e sustentável. Essas condições nem sempre existem”.
Promover a saúde cardiovascular
Quanto ao Programa Nacional de Rastreio da Hipertensão Arterial, em particular, para Narcisa Dias, “a expansão do projeto às farmácias FirstPharma representa um passo muito importante para concretizar a missão de promover a saúde cardiovascular junto de um número cada vez maior de portugueses”. A farmacêutica revela que tenm acompanhado “com grande satisfação a qualidade do trabalho de divulgação, adaptação dos materiais, organização e apoio logístico desenvolvido pela FirstPharma. A formação às farmácias do grupo foi uma prioridade de todos, tendo sido ministrada pela Dra Liliana Marques, da nossa farmácia. Acredito que todos sairemos honrados e orgulhosos dos resultados desse trabalho colaborativo”.
Assim sendo, “mais do que ampliar números, esta expansão permite aumentar a proximidade à população e reforçar o papel das farmácias na prevenção e deteção precoce da hipertensão arterial”, conclui.




