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Falta de medicamentos nas farmácias está a agravar-se

22-Jan-2014

O problema da falta de medicamentos nas farmácias está a agravar-se. Em dezembro, os estabelecimentos farmacêuticos não conseguiram ter disponíveis cerca de cinco milhões de embalagens de fármacos e muitos eram genéricos, adiantou ao “Público” o secretário-geral da Associação Nacional das Farmácias (ANF), Nuno Flora.

«Foi o pior mês de sempre», afirma Nuno Flora, para quem a Autoridade Nacional do Medicamento (INFARMED) devia efetuar «uma monitorização quase diária» dos produtos que efetivamente estão no mercado para evitar que este problema persista.

Os medicamentos faltam nas farmácias porque os laboratórios não produzem em quantidade suficiente, ou porque se desinteressam de fabricar alguns produtos devido à constante diminuição dos preços, e ainda porque preferem exportar para outros países. Um dos medicamentos que estão em falta desde novembro e que tem sido muito procurado é a vacina contra a gripe, situação que tem gerado «uma pressão enorme» sobre as farmácias, frisa Nuno Flora.

O problema fica a dever-se a um insuficiente abastecimento das farmácias que, na época vacinal 2013/2014, receberam 530 mil doses, contra as cerca de 950 mil que tinham recebido na época anterior, explica o responsável da ANF. Nos últimos anos, o número de doses de vacina contra a gripe que vêm para Portugal tem diminuído (são os laboratórios farmacêuticos que decidem anualmente a quota a atribuir a cada país). Em 2013, a quota de importação ficou-se por 1,6 milhões de unidades (menos 100 mil do que em 2012 e menos 200 mil do que no ano anterior) e a Direção-Geral da Saúde (DGS) decidiu ficar com 1,157 milhões para distribuição gratuita pelos grupos de risco, como as pessoas com mais de 65 anos, os residentes em lares e outras instituições, os profissionais de saúde e alguns doentes crónicos.

Uma estratégia que permitiu um resultado «inédito na história de Portugal», que conseguir imunizar mais de 60% dos idosos, sublinha o diretor-geral da Saúde, Francisco George. A ANF chegou a sugerir à DGS, em novembro, que fosse cedida às farmácias uma parte do stock que então restava, mas a proposta não recebeu luz verde, uma vez que o objetivo era utilizar as doses no setor público. Francisco George diz agora que as vacinas foram quase todas usadas, restando apenas «uma reserva estratégica».

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