O tema foi debatido durante a 2.ª Conferência de Consenso sobre a Agenda Nacional de Inteligência Artificial, que decorreu no passado dia 18 de setembro, na NOVA Medical School, em Lisboa, em parceria com a Comissão para a Inteligência Artificial da Ordem dos Médicos.
A questão já não é se a Inteligência Artificial (IA) veio para ficar ou se terá um papel relevante na Saúde, mas sim como usá-la e os especialistas são unânimes em concordar que é fundamental que exista formação.
Paulo Simões, presidente do conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos e um dos intervenientes nesta conferência – que serviu para debater e definir recomendações a apresentar ao Governo para integrar o setor da Saúde na Agenda Nacional de Inteligência Artificial -, lançou um repto. “O objetivo é que em 2029 todos os estudantes admitidos na Ordem dos Médicos já tenham formação em Inteligência Artificial, assim como pelo menos um terço dos profissionais de saúde”.
Já Pedro Barata, vice-presidente da Comissão de Ética para a Investigação Clínica, sublinhou a importância de existir um regulamento e da literacia dos jovens médicos que estão a ser formados e levantou uma questão durante o painel de debate sobre governação, regulação, ética e confiança. “Como é que explico a um aluno que tirar uma fotografia a um ecrã num hospital e a mandou para alguém fez uma violação séria?”.
Os desafios trazidos pela Inteligência Artificial foram abordados durante a conferência muitas vezes com interrogações. “Se alguém atualmente quiser sair de um ensaio clínico sai, apagamos os dados na folha de Excel e destruímos os papéis; quando o algoritmo já aprendeu com aquelas pessoas, como é que isto vai ser feito”? questionou Vera Lúcia Raposo, subdiretora da NOVA School of Law.
Rui Nunes, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e da Comissão para a IA da Ordem dos Médicos, não tem dúvidas de que estamos a assistir a uma mudança de paradigma e sublinha que “a Inteligência Artificial não é apenas mais uma ferramenta”.
Durante a sessão de abertura da conferência, o médico e professor catedrático na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto argumentou que é necessário “desenhar uma Inteligência Artificial que seja humana, ética, responsável e confiável”.
Os especialistas concordam que a Saúde é um dos setores onde a Inteligência Artificial poderá ter mais impacto e o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos insistiu que é preciso capacitar os profissionais para a usarem “de forma informada e correta, a bem do serviço que prestam aos doentes”. Helder Mota Filipe alertou que é necessário criar oferta formativa que seja acessível aos profissionais e para que todos possam reunir o conhecimento básico sobre o assunto.
O bastonário adiantou que a partir do início do próximo ano a Ordem pretende disponibilizar oferta formativa aos profissionais, que “não sendo obrigatória, é fortemente aconselhada”.




