A Associação de Farmácias de Portugal (AFP) manifesta preocupação face ao atual ritmo de implementação do regime de dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade, que, segundo dados recentemente divulgados, apesar de abranger um universo potencial de cerca de 150 mil doentes, conta atualmente com apenas cerca de 1.700 beneficiários.
Para a associação, a dispensa em proximidade representa “uma solução com impacto direto na qualidade de vida dos doentes, evitando deslocações frequentes aos hospitais, reduzindo custos e promovendo maior comodidade no acesso à medicação, pelo que seria expectável que este sistema estivesse já a funcionar de forma plena”.
Apesar de se registarem progressos, nomeadamente com a integração gradual de novas Unidades Locais de Saúde (ULS) e o aumento do número de doentes abrangidos, “a realidade demonstra que este regime está ainda muito aquém do seu potencial, deixando por concretizar um benefício essencial para milhares de utentes”, sublinha a AFP, em comunicado.
O modelo atualmente previsto, “ao permitir uma adesão individual por parte de cada ULS, dificulta a implementação uniforme e célere da medida a nível nacional. Esta falha na implementação compromete a criação de um circuito do medicamento devidamente controlado, com registos e rastreabilidade, perdendo-se assim uma das principais vantagens do modelo, para além de não se assegurar a devida integração das farmácias comunitárias nem a sua remuneração pelos serviços prestados”.
A AFP destaca ainda que “os atrasos na implementação desta medida a nível nacional resultam, em grande medida, de constrangimentos associados ao desenvolvimento e interoperabilidade dos sistemas informáticos hospitalares, bem como da necessidade de adaptação e capacitação das equipas. Assim, é fundamental garantir que estas barreiras sejam rapidamente ultrapassadas”.
Os impactos deste atraso fazem-se sentir a vários níveis: “os utentes continuam, em muitos casos, sem beneficiar de uma solução mais próxima e cómoda; o Serviço Nacional de Saúde continua sem tirar partido dos ganhos de eficiência; e os farmacêuticos comunitários, que têm investido na sua formação nesta área, continuam impedidos de aplicar plenamente as suas competências”, refere a AFP.




