AFP deixa recomendações para garantir acesso ao medicamento em cenários de crise 188

O agravamento do conflito no Médio Oriente voltou a expor a vulnerabilidade das cadeias globais de abastecimento, com potenciais reflexos no acesso a medicamentos em vários países, incluindo Portugal.

Perante um contexto internacional marcado pela instabilidade geopolítica, a Associação de Farmácias de Portugal (AFP), ao NETFARMA, sublinha que, “em Portugal, as farmácias comunitárias constituem um espaço de saúde de proximidade com elevada capilaridade nacional”, por isso “em situações de crise, podem desempenhar um papel determinante na garantia do acesso a medicamentos essenciais, continuidade terapêutica e aconselhamento à população. Para a AFP, torna-se, assim, “importante a sua integração formal na rede de respostas a situações de emergência, catástrofe e outros contextos de elevada disrupção nacional“.

A associação considera, deste modo, essencial “reforçar a capacidade do país para responder de forma eficaz a situações de crise, promovendo a resiliência do sistema de saúde, garantindo o acesso da população ao medicamento e/ou cuidados de saúde”.

Medidas recomendadas

A AFP deixa algumas recomendações para garantir a continuidade do acesso ao medicamento:

  • “Criação de condições que garantam às farmácias a continuidade do seu funcionamento em cenários de crise, nomeadamente através da sua priorização no restabelecimento de energia e comunicações, da disponibilização de sistemas autónomos de energia (ex.: geradores) e de soluções de comunicação redundantes, incluindo soluções via satélite ou integração com redes de emergência.”
  • “Manter-se uma comunicação eficiente e cooperante com as ULS e ainda a criação de uma ligação digital resiliente aos sistemas do SNS, assegurando a continuidade do acesso à informação essencial para a prestação de cuidados.”
  • Criação de mecanismos que permitam garantir a disponibilidade de medicamentos críticos, através da constituição de reservas estratégicas nacionais e/ou locais de medicamentos e dispositivos médicos que deverão incluir medicamentos indispensáveis para a continuidade terapêutica de doentes crónicos, bem como medicamentos/dispositivos médicos frequentemente necessários em cenários de catástrofe.”
  • “Desenvolvimento de protocolos específicos que assegurem a continuidade do abastecimento das farmácias comunitárias em cenários de disrupção das infraestruturas ou cadeias de distribuição, garantindo rotas alternativas e mecanismos prioritários de transporte de medicamentos.”

Por último, a AFP reforça “a importância do reconhecimento formal das farmácias como infraestruturas críticas de saúde de proximidade e a sua integração nos planos nacionais e municipais de emergência”.