Profissionais de saúde moçambicanos pedem intervenção de PR por falta de medicamentos

Os profissionais de saúde moçambicanos pediram hoje a intervenção do chefe do Estado alegando falta de fármacos nas unidades sanitárias, enquanto as negociações com o executivo para impedir paralisações no setor, desde janeiro, pararam.

“A primeira coisa é dar mais prioridade à saúde porque todo o mundo depende da saúde, dar prioridade à saúde é saber como é que as unidades sanitárias recebem e quando vão ter medicamentos, porque na realidade não tem medicamentos”, disse o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave, em conferência de imprensa, em Maputo.

E acrescentou: “primeiro era dizer a ele [chefe do Estado] para adquirir medicamentos e insumos médicos e depois vamos ver a organização das unidades sanitárias, porque neste momento não temos medicamentos, o que temos são medicamentos doados de doenças de outro país, porque há medicamentos que em Moçambique não tem função”.

Desde 16 de janeiro que a APSUSM tem convocado paralisações de 30 dias, sucessivamente renovados, mas cujos efeitos não são claros, com o Governo a garantir desconhecer o impacto da greve nas unidades sanitárias.

Segundo a APSUSM, as negociações com o Governo pararam, com esta associação a indicar que a greve está em curso nas unidades sanitárias face à “falta de seriedade do Governo”, que, acusou, continua a “mentir” para a população sobre a disponibilidade de fármacos no país.

“As negociações com o Governo praticamente pararam. Pararam porque o Governo não tem plano, não sabe o que dizer quando pedimos medicamentos e praticamente diz que vai comprar. O Governo só vem oralmente a dizer que tem dívidas, mas nós queremos ver a própria dívida, a quem estão a dever, talvez podemos falar com a pessoa que estão a dever e dizer que as pessoas estão a morrer”, disse Muchave.

Na sexta-feira, o Governo moçambicano desafiou a APSUSM a provar a denúncia de venda de medicamentos fora de prazo nas farmácias, com esta associação a acusar o executivo de “manipular” a opinião pública.

“Povo moçambicano, vimos mais uma conferência do Governo, não de espanto, de tristeza, e a verdade é que o Governo não quer ouvir, mas vamos gritar. Os medicamentos estão fora do prazo nas unidades sanitárias, o povo está a receber veneno em vez de cura. Governo de Moçambique, chega de teatro, vamos falar a verdade que dói, mas liberta”, disse Muchave.

De acordo com a Lusa, a APSUSM já tinha antes denunciado alegadas irregularidades nos armazéns centrais de medicamentos, apontando problemas de conservação, infiltrações e presença de roedores e aves em espaços destinados ao armazenamento de fármacos.

Além de voltar a pedir a demissão do ministro da Saúde, a APSUSM quer que o mesmo assuma que o setor da Saúde não dispõe de fundos para aquisição de fármacos que deverão chegar ao país em 18 meses, conforme adiantou anteriormente o ministro.

Hospital sem medicamento é igual a morgue. Remédio vence por falta de planificação e rota de gestão. O Governo fala de concurso de compra de medicamentos que vai durar 18 meses e eu vos garanto, digo ao povo moçambicano que o Governo não pagou nenhum medicamento que vai chegar daqui a 18 meses”, disse Muchave.

A APSUSM voltou a indicar que a sua greve é pela melhoria das condições hospitalares.

“Estamos a ser claros: a nossa greve é por falta de medicamentos, material médico-cirúrgico, alimentação nas unidades sanitárias, medicamentos fora do prazo e pela demissão de quem é inoperante. Ele já demonstrou de forma cristalina e tangível, por omissão, por ação, que não tem planos nem solução para dirigir o pelouro da saúde. Demonstra claramente que é inútil para o povo”, concluiu.

Antes, em 20 de abril, os profissionais de saúde exigiram propostas escritas do Governo com datas para pagamento de subsídios e entrega de medicamentos e equipamentos.