O Presidente da África do Sul descreveu hoje como “ponto de viragem” e que traz “esperança” a distribuição no país de lenacapavir, um antirretroviral de ação prolongada para prevenir o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).
“Isto não é apenas um avanço médico. É uma intervenção prática que pode transformar vidas e que salvará vidas. Reduz as barreiras para o cumprimento do tratamento (…), alarga as opções, reforça a dignidade e capacita as pessoas para que tomem as rédeas da sua saúde e também do seu próprio futuro”, afirmou Cyril Ramaphosa, num evento realizado na cidade de Secunda, na província de Mpumalanga (nordeste).
O governante, citado pela Lusa, destacou que a África do Sul, nação vizinha de Moçambique, é um dos países com maior carga de infeções por VIH no mundo e assinalou que a distribuição do lenacapavir “representa o triunfo da ciência sobre o desespero” e “o poder da inovação para salvar vidas”.
A África do Sul recebeu no passado mês de abril um primeiro envio de 37.920 doses de lenacapavir, desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Gilead Sciences, que se aliou ao Fundo Mundial de Luta contra a Sida, a Tuberculose e a Malária para viabilizar a sua distribuição em países com uma elevada taxa da doença.
Trata-se do primeiro antirretroviral injetável de ação prolongada aprovado para a profilaxia pré-exposição (PrEP) que, ao contrário da profilaxia oral diária, é aplicado através de uma injeção subcutânea a cada seis meses e atua em três fases do ciclo do vírus.
Nesta primeira fase do programa, 360 centros médicos em zonas com elevada prevalência do vírus, em seis das nove províncias do país, receberão o fármaco.
Numa intervenção gravada, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhou que o lenacapavir “não é uma vacina, mas é o mais parecido que existe” e alertou que “o financiamento continua a ser incerto”.
“Os preços devem ser transparentes e justos e a sua implementação exigirá sistemas sólidos que garantam que os testes, a distribuição e o acompanhamento sejam acessíveis e eficazes”, acrescentou.
A 14 de julho de 2025, a OMS recomendou o uso do lenacapavir e qualificou a decisão como “histórica” ao considerar que este fármaco poderia redefinir a resposta global à epidemia como alternativa à PrEP oral convencional.
Cerca de 40,8 milhões de pessoas vivem com o vírus no mundo, das quais 21,1 milhões – mais de metade do total – encontram-se na África Subsariana, a região mais afetada a nível global.




