África foi o continente que mais conseguiu reduzir as taxas de VIH e tuberculose, apesar de permanecer como líder das incidências, de acordo com um relatório divulgado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo o relatório ‘Estatísticas Mundiais da Saúde 2026’ da OMS, analisado pela Lusa, “a Região Africana alcançou reduções mais rápidas tanto nas novas infeções por VIH como na taxa de incidência da tuberculose (70% e 28%, respetivamente) do que a média global”
Apesar dos progressos registados na última década, a Região Africana continua a concentrar o maior número de casos de VIH.
Desde 2010, a taxa de incidência do vírus caiu 70%, situando-se em 0,53 novas infeções por cada mil pessoas não infetadas em 2024.
Contudo, no final de 2024, o continente representava cerca de 65% de todas as pessoas que vivem com VIH no mundo.
Esse valor representa 26,3 milhões de pessoas, num total global estimado de 40,8 milhões.
África mantém ainda a taxa de incidência de tuberculose mais elevada do mundo, apesar dos progressos significativos.
“A Região Africana, embora continue a apresentar a taxa de incidência mais elevada desde 2015, conseguiu uma redução líquida de 28%, mais do dobro da taxa global de redução”, lê-se no relatório, no qual argumenta que estes dados demonstram ser “possível alcançar progressos em todos os níveis da doença e que acelerar os progressos é essencial para atingir a meta”.
Em 2024, à escala global, a OMS estima que 10,7 milhões de pessoas tenham desenvolvido a doença, apesar da taxa de incidência ter descido 12% desde 2015, passando de 150 para 131 novos casos por cada 100 mil habitantes.
“Esta redução fica aquém da meta da Estratégia da OMS, que prevê uma redução de 80% até 2030”, indicou.
No caso da malária e hepatites virais, África permanece também como o continente mais afetado.
Em 2024, registaram-se cerca de 282 milhões de casos de malária em todo o mundo, com uma taxa de incidência de 64 casos por cada mil pessoas em risco, sendo que o continente africano apresenta uma incidência muito superior à média global, com 238 casos por cada mil pessoas em risco, quase quatro vezes mais do que o valor mundial.
No caso das hepatites virais, a tendência é semelhante: “em 2024, estimava-se que 240 milhões de pessoas viviam com hepatite B e 47 milhões com hepatite C em todo o mundo”, de acordo com a OMS.
A região africana concentra 68% das novas infeções por hepatite B a nível mundial, sendo também a única região onde a prevalência em crianças com menos de cinco anos ainda ultrapassa 1%.
África continua a registar a maior taxa de natalidade na adolescência entre todas as regiões da OMS, a mais elevada mortalidade materna do mundo, sendo “a única classificada como tendo níveis elevados”, a maior mortalidade neonatal e infantil, “sendo responsável por quase 60% das mortes em crianças com menos de cinco anos (2,8 milhões de mortes em 2024), apesar de representar apenas cerca de 30% dos nascimentos vivos a nível mundial”, frisou a OMS.




