O diretor do Programa Alargado de Vacinação (PAV) de Moçambique, Leonildo Nhampossa, afirmou hoje que a vacina contra a malária representa uma aposta estratégica do país no combate à doença, apesar de persistirem desafios na sua implementação.
“A incidência e prevalência [da malária] ainda é importante no nosso país (…) e por isso mesmo o Ministério da Saúde tem estado a apostar em medidas complementares para uma prevenção combinada e a vacina da malária é uma delas”, disse Nhampossa, durante o webinar sobre o tema ‘Vacina contra malária: Estratégias para Implementação Eficaz e Adesão Comunitária’.
Segundo Leonildo Nhampossa, a adoção da Vacina R21 – recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para crianças – para o tratamento dessa doença em bebés de seis a 18 meses, faz parte do leque dos métodos de prevenção combinada para a prevenção da malária no país, “como uma medida complementar”.
“Todos nós reconhecemos que a descoberta da vacina da malária representa um grande avanço científico, como uma medida adicional para o controlo da malária”, afirmou, reiterando, entretanto, que o medicamento não é uma “solução mágica”, consubstanciando os esforços das outras medidas que o programa nacional tem em curso.
O diretor explicou ainda que o imunizante atua apenas numa fase inicial do ciclo do parasita, ajudando a prevenir a infeção, mas sem eliminar totalmente o risco da doença.
Moçambique iniciou a introdução da vacina em 2024, pela província da Zambézia, centro do país, por ter “critérios muito relevantes” quando se fez a estratificação de priorização para introdução do medicamento, tendo em dezembro de 2025 expandido para oito províncias.
Apesar do avanço, Nhampossa reconheceu que as coberturas ainda estão abaixo das metas desejadas e apelou ao envolvimento de parceiros e comunidades para fortalecer o programa.
“Sobre o nosso calendário vacinal, nós sabemos que apesar de termos introduzido há algum tempo, ainda temos algumas pessoas que não conhecem muito bem o calendário, nós, o que fizemos na altura, é tentarmos ver dentro das vacinas que já foram estabelecidas no sistema”, descreveu.
Entre os principais desafios, o diretor daquele órgão do Ministério da Saúde moçambicano assinalou o medo de efeitos adversos e boatos, associados a desinformação comunitária e nas redes sociais: “Mas também há algumas barreiras ligadas a mitos que nós ouvimos por aí sobre a vacina”.
Segundo Leonildo Nhampossa, citado pela Lusa, para ultrapassar esses desafios é fundamental reforçar estratégias integradas ao nível dos serviços de saúde e das comunidades, e entre as prioridades esta a busca ativa de crianças faltosas, associada ao mapeamento sistemático de crianças que não completaram o esquema vacinal, o reforço da comunicação integrada, incluindo a expansão e fortalecimento das brigadas móveis.
Para o responsável, é também indispensável investir numa monitoria permanente e na qualidade dos dados, para identificar rapidamente falhas na cobertura e ajustar as intervenções, e o envolvimento comunitário deve ser reforçado, promovendo esta vacina com a mesma intensidade com que outras intervenções, como o uso de redes mosquiteiras, já são promovidas.
Dados enviados à Lusa em 01 de abril indicam que pelo menos 496 pessoas morreram vítimas de malária em Moçambique em 2025, um aumento de 39% em comparação com 2024, ano em que foram registados 358 óbitos.




