O farmacêutico moçambicano Alexandre Cobre, 32 anos, criou um sistema de Inteligência Artificial (IA) que localiza medicamentos, compara preços e indica disponibilidade em farmácias, com mais de 200 registadas na plataforma, em Nampula, norte de Moçambique.
“As vezes o medicamento existe, mas a pessoa não encontra porque falta informação. A plataforma também permite que pacientes conversem diretamente com farmacêuticos, enviem fotografias de receitas médicas e recebam respostas imediatas sobre disponibilidade dos medicamentos”, explica à Lusa o docente universitário, natural de Nacala Porto, em Nampula.
A plataforma Muzi AI, criada através da MozBioMed, começou a ser desenvolvida há três anos por uma equipa de jovens moçambicanos formados e treinados localmente.
Com a aplicação, Alexandre quer aliviar o sofrimento do povo moçambicano, indicando as farmácias mais próximas e mais baratas em tempo real a quem procura por medicamentos.
“Como cientista, como moçambicano e como farmacêutico, o que me motivou foi olhar para o sofrimento do povo moçambicano”, diz Cobre, afirmando que a aplicação vai servir, gratuitamente, ao “moçambicano mais vulnerável até ao mais privilegiado”.
Além da componente direcionada ao cidadão, a plataforma é dirigida também às farmácias, que terão acesso a sistemas inteligentes de gestão de estoque, receção de clientes e organização de informação de consumo.
“Não é apenas um aplicativo, é um ecossistema completo de inteligência artificial. Na verdade, o primeiro do país”, diz, com orgulho, acrescentando que pelo menos 200 farmácias já estão cadastradas, um número que considera significativo visto que o sistema tem poucos dias de funcionamento.
Todos os dados recolhidos através do sistema de IA são tratados de forma anónima e poderão servir de apoio estratégico às autoridades de saúde, avança ainda.
O lançamento oficial da plataforma está previsto para julho, no Hospital Central de Nampula, local que deverá tornar-se símbolo da transformação digital no setor da saúde em Moçambique.




